Num comunicado divulgado na quarta-feira, a CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau indicou que “perante o desafio dos elevados preços dos combustíveis, o Aeroporto Internacional de Macau [AIM] mantém uma comunicação estreita com as companhias aéreas para avançarem os planos de lançamento de rotas para a China Continental e o Nordeste Asiático em junho e julho deste ano, reforçando assim ainda mais a rede de rotas nacionais e internacionais”.
Apesar da intenção de expansão manifestada, a Air Macau, companhia de bandeira da região, tem estado a cancelar voos e a suspender rotas, de acordo com uma notícia divulgada esta semana pela emissora pública local.
A Air Macau não avança os motivos dos cancelamentos, justificando-os apenas com “razões comerciais”, segundo “relatos de passageiros”, informou a Teledifusão de Macau (TDM), que deu conta de publicações “nas redes sociais onde têm sido publicadas as mensagens que a Air Macau tem enviado aos passageiros”.
De acordo com os relatos, passageiros foram informados sobre o cancelamento das ligações e “aconselhados a contactar a transportadora para assistência”, noticiou ainda a TDM.
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A TDM simulou a marcação de um voo para Jacarta, mas as ligações para a capital indonésia estão “suspensas sem aviso adicional”. A Lusa, que se deparou com o mesmo problema ao tentar marcar um voo para o mesmo destino, questionou a Air Macau sobre estes cancelamentos, mas até ao momento não obteve qualquer resposta.
Numa pesquisa ao ‘website’ do aeroporto de Macau foi possível observar por volta das 12:00 locais (05:00 em Lisboa) que, para o dia de hoje, dia 9, estão já canceladas 13 ligações – para vários destinos no interior da China e ainda Taiwan, Filipinas, Singapura e Malásia – sendo seis voos operados pela Air Macau, dois pela Air Asia, dois pela Shenzhen Airlines, outros dois pela China Eastern e um pela Xiamen Air.
O aeroporto de Macau registou, entre janeiro e março de 2026, um movimento de 2,1 milhões de passageiros, o que representa um aumento de 15% face ao mesmo período do ano passado, de acordo com dados divulgados hoje pela CAM.
O número de movimentos de aeronaves alcançou 15.952, um acréscimo de 10% em termos homólogos, “refletindo um desempenho sólido” da infraestrutura aeroportuária, lê-se ainda no comunicado. Em termos de mercado, acrescentou a CAM na nota, os passageiros oriundos do interior da China representaram 41% do total, os de Taiwan corresponderam a 19% e do Sudeste Asiático e Nordeste Asiático somaram 40%.
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No que diz respeito aos passageiros internacionais, o movimento alcançou 224 mil clientes nos dois primeiros meses do ano, um acréscimo de 11% em relação ao mesmo período de 2025. Durante as férias da Páscoa e do festival de Ching Ming, entre 3 e 7 de abril, o aeroporto registou 115 mil passageiros e 856 movimentos de aeronaves, representando aumentos de 2.6% e 9.1%, respetivamente, refere-se ainda no comunicado.
Para o verão, o aeroporto diz estar “a otimizar as operações e a negociar com companhias aéreas programas de incentivos, coordenação de recursos e novas rotas”.
Em março, o diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), principal associação mundial de companhias aéreas, afirmou que um aumento dos preços dos bilhetes de avião é inevitável, perante a subida dos preços dos hidrocarbonetos devido à guerra no Irão.
“Não é preciso ser um génio para deduzir que os custos adicionais que as companhias terão de enfrentar, se a situação persistir, serão muito superiores ao que podem absorver”, notou Willie Walsh em 20 de março, durante uma conferência organizada pela Associação de Jornalistas Profissionais da Aeronáutica e do Espaço (AJPAE).
A IATA reúne 360 transportadoras que representam 85% do tráfego mundial. Desta forma, o responsável assegurou ainda que “é inevitável que os preços dos bilhetes aumentem”, uma subida já sentida em alguns mercados, em particular nos Estados Unidos.
Na terça-feira, a companhia aérea AirAsia X, filial da AirAsia, anunciou sobretaxas de combustível que implicarão um aumento nos preços dos bilhetes, bem como uma reestruturação das rotas, devido à crise energética resultante da guerra no Irão.
A companhia aérea, com sede na Malásia, junta-se, assim, a outros grupos do setor do transporte aéreo que, nas últimas semanas, decidiram aumentar as tarifas face à insegurança energética gerada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz no contexto da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.
Na China, companhias aéreas como a Xiamen Airlines, a China United Airlines, a Spring Airlines e a China Southern Airlines aplicaram sobretaxas de combustível, enquanto no Japão espera-se que a All Nippon Airways (ANA) e a Japan Airlines (JAL) as dupliquem em voos internacionais em junho e julho.
O combustível representa até 30% dos custos operacionais das companhias aéreas, pelo que as flutuações significativas nos preços internacionais do petróleo afetam-nas substancialmente, de acordo com a IATA.