A atual crise de petróleo e gás causada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz é “mais grave do que as de 1973, 1979 e 2022 juntas”, afirmou Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia (IEA), alertando para o impacto global do conflito no Médio Oriente.
Birol explicou ao jornal francês Le Figaro que o conflito na região afeta os mercados de energia com intensidade superior à soma dos choques petrolíferos da década de 1970 e à recente escalada provocada pela invasão russa da Ucrânia. Segundo ele, os países em desenvolvimento serão os mais afetados, sofrendo com aumento do preço de combustíveis, alimentos e aceleração da inflação. Europa, Japão e Austrália também sentirão os efeitos.
Na terça-feira, o barril de petróleo Brent atingiu os 111 dólares antes de cair para 109,40 dólares, em negociações voláteis. O petróleo leve de Nova Iorque subiu até 115,3 dólares, recuando depois para 112,72 dólares. A instabilidade ocorre enquanto o presidente Donald Trump mantém um ultimato a Teerão para reabrir o Estreito de Ormuz ou enfrentar ataques a infraestruturas civis, incluindo centrais elétricas.
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“Os mercados estão em alerta, negociando praticamente contra o relógio definido pela administração Trump”, explicou Daniela Hathorn, analista da Capital.com, acrescentando que a situação poderá evoluir rapidamente para uma escalada militar ou uma descompressão de última hora.
A guerra no Irão está a agravar preocupações sobre inflação e crescimento global. Kristalina Georgieva, diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), alertou que o conflito deve levar a preços mais altos e desaceleração económica mundial, contrariando projeções prévias de crescimento global de 3,3% para 2026 e 3,2% para 2027.
No Reino Unido, dados recentes indicam que a economia caminha para a estagflação. O crescimento do setor de serviços em março foi o mais baixo em 11 meses, devido à retração do consumo provocada pelo conflito no Médio Oriente, segundo a S&P Global. Thomas Pugh, economista-chefe da RSM UK, alertou que “se a guerra se prolongar, uma recessão no Reino Unido torna-se cada vez mais provável”.