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Tecnologia e IA comandam investimento estrangeiro

Um inquérito da Câmara Europeia de Comércio em Macau (MECC) e da Universidade de São José relativo a 2025, mostra uma comunidade empresarial cautelosamente optimista, preocupada com talento, regulação e custos, mas ainda interessada em investir e em usar Hengqin como plataforma de expansão.

Fernando M. Ferreira

As empresas com ligação ao exterior que operam em Macau demonstram um sentimento misto: o ambiente económico melhorou ligeiramente face ao ano anterior, mas continuam a pesar os entraves no recrutamento, o aumento dos custos e as dificuldades regulatórias. Ainda assim, o setor mantém interesse em novas apostas, sobretudo em tecnologia e inteligência artificial, e continua a olhar para Hengqin como espaço de expansão.

O retrato é traçado pelo 2025 MECC Business Sentiment Survey, elaborado pela Faculdade de Gestão e Direito da Universidade de São José e pela Comissão de Desenvolvimento Económico da Câmara Europeia de Comércio em Macau. O inquérito foi enviado entre junho e agosto de 2025 a empresas ligadas a várias câmaras estrangeiras, tendo recolhido respostas de 27 companhias, cerca de 40% do universo contatado.

O estudo fala numa comunidade empresarial “cautelosamente optimista”, mas sem sinais de entusiasmo generalizado. Mais de metade dos inquiridos, 55.6%, têm uma visão neutra sobre o desenvolvimento do seu setor; 11.1% mostram-se optimistas e mais de um terço assumem uma perspectiva pessimista. Ao mesmo tempo, 18.5% admitiram aumentar o investimento em Macau, embora a maioria espere manter-se ou permaneça incerta.

Quando questionadas sobre os fatores que mais podem afetar as receitas, as empresas apontam em primeiro lugar para a incerteza económica, referida por 63.2% dos participantes. Seguem-se a quebra da procura, o aumento da concorrência, a falta de talento local qualificado e a incerteza geopolítica. Já entre os elementos que mais dificultam fazer negócios em Macau, os fatores económicos destacam-se claramente, assinalados por 66.7% dos inquiridos.

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O mercado de trabalho permanece um dos principais pontos de tensão. Quase 30% das empresas dizem sentir dificuldades no recrutamento ou retenção de talento local. A principal razão é a escassez de profissionais com as qualificações exigidas, seguida das expectativas salariais e da dificuldade em encontrar perfis aptos a trabalhar em ambiente internacional.

No caso do talento internacional, um terço das empresas admite problemas. O principal obstáculo é a restrição nos vistos e autorizações de trabalho, a par da complexidade documental, da falta de clareza nos prazos e da lentidão no processamento dos pedidos.

Mais diálogo, menos obstáculos

O inquérito mostra também perceções divergentes sobre a relação com o Governo. Entre as empresas que dizem sentir-se menos bem-vindas em Macau, a razão mais citada foi a falta de canais de comunicação com as autoridades. Em sentido contrário, entre as que se sentem mais acolhidas, surgem precisamente melhores oportunidades de colaboração local e canais de comunicação mais eficazes.

Assim, as propostas mais repetidas para melhorar o ambiente de negócios passam pela criação de mesas-redondas regulares entre Governo e setor privado e pelo reforço de sessões de esclarecimento sobre iniciativas públicas dirigidas ao tecido empresarial internacional.

Apesar do contexto prudente, o inquérito mostra onde estão as novas apostas. Entre as empresas que ponderam investimento em novas áreas de investigação e desenvolvimento, 70.4% colocam tecnologia e inteligência artificial no topo das prioridades, muito acima da sustentabilidade ou das energias limpas.

Hengqin continua também no radar, embora longe de reunir consenso. Metade das empresas inquiridas dizem não estar a considerar investir ali; 30.8% ponderam fazê-lo e 19.2% já investem ou planeiam investir. Entre os principais atrativos estão os custos operacionais mais baixos, o acesso ao talento e ao mercado do Interior da China e o alinhamento com a estratégia de diversificação “1+4” de Macau.

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Do lado das reservas, as maiores barreiras são legais e regulatórias, a incerteza quanto às políticas públicas, as dificuldades em movimentar finanças empresariais e a falta de perspectivas claras.

Os autores sublinham, no entanto, que o estudo é exploratório e assenta numa amostra reduzida, limitada a 27 empresas ligadas a câmaras de comércio com perfil estrangeiro. Ainda assim, a leitura geral é consistente: Macau continua a ser visto como destino com potencial, mas a sua competitividade dependerá cada vez mais da capacidade de reduzir obstáculos regulatórios, atrair talento e fortalecer o diálogo entre o poder público e o setor privado.

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