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Portugal sem vagas para idosos: 70% dos lares com lotação esgotada. Preços médios superam os 1900€

O setor das residências para idosos em Portugal está a atingir um limite crítico. Um novo estudo revela que 70% das Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI) se encontram totalmente lotadas, enquanto os preços médios mensais já ultrapassam os 1900 euros, tornando o acesso praticamente impossível para a maioria das famílias portuguesas.

Os dados constam do 4.º Retrato das Residências Sénior em Portugal, um estudo realizado pela Via Sénior em parceria com a BA&N Research Unit, que analisa cerca de 45% das camas privadas para idosos existentes no país. O documento traça um cenário de forte pressão sobre o setor, com apenas 8% das unidades a reportarem alguma disponibilidade de vagas.

A falta de oferta tem impacto direto nos preços. Segundo o estudo, 84,5% das residências aumentaram as mensalidades no último ano. O valor médio ponderado de um quarto individual fixa-se atualmente nos 1921 euros mensais, enquanto a mediana já atingiu os 2000 euros. Mesmo as opções mais económicas continuam fora do alcance da maioria dos reformados: um quarto duplo custa, em média, 1717 euros e um quarto triplo cerca de 1482 euros.

Esta realidade contrasta com os rendimentos nacionais. Com pensões que, na maioria dos casos, variam entre os 600 e os 900 euros, o custo de uma residência sénior absorve a totalidade — ou mais — do rendimento mensal de um idoso, obrigando muitas famílias a recorrer ao cuidado domiciliário informal.

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A dificuldade de acesso é agravada pelas longas listas de espera. Cerca de 70% das instituições têm inscrições pendentes, sendo que em mais de um terço dos casos o tempo de espera ultrapassa os seis meses. A baixa rotatividade explica parte do problema: a maioria dos residentes permanece nas instituições durante vários anos e apresenta idades muito avançadas, exigindo cuidados permanentes.

O estudo surge num contexto de envelhecimento acelerado da população. Portugal é atualmente um dos países mais envelhecidos da União Europeia, mas dispõe de apenas quatro camas por cada 100 idosos, um rácio inferior ao de vários países do norte da Europa. Apesar disso, apenas uma pequena percentagem das residências privadas beneficia de acordos ou apoios do Estado.

Perante este cenário, os autores alertam para um problema estrutural que ameaça agravar-se nos próximos anos. Sem um reforço da oferta e uma maior intervenção pública, o acesso a cuidados dignos na velhice arrisca-se a tornar-se um privilégio reservado a uma minoria.

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