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Moçambique avalia medidas económicas perante riscos internos

O parlamento de Moçambique admite adotar medidas para proteger a economia face aos efeitos das cheias e à instabilidade no Médio Oriente, que poderão afetar o abastecimento energético e a produção interna

Lusa

O Governo moçambicano está a acompanhar a conjuntura internacional e os impactos das cheias para decidir sobre eventuais medidas para mitigar impactos na economia, disse hoje, 11 de março, no parlamento, em Maputo, a primeira-ministra, Benvinda Levi.

Ao prestar informações à Assembleia da República, a primeira-ministra assegurou que o Governo está “a acompanhar atentamente a conjuntura interna e externa”, nomeadamente as consequências da época das chuvas em Moçambique e a guerra no Médio Oriente.

“O que irá permitir, de forma tempestiva, adotar e implementar medidas e ações para mitigar e ultrapassar os impactos que poderão advir destes desafios no desempenho da nossa economia”, disse a governante.

Acrescentou que, “de modo geral, as perspetivas para o ano de 2026 mantêm-se moderadamente favoráveis, embora condicionadas” a “riscos internos e externos”, que descreve como “relevantes”.

“A nível internacional, podemos destacar o agravamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente como mais um fator de incerteza, tendo em conta o encerramento temporário do corredor estratégico de navegação e a destruição de infraestruturas críticas ligadas à exploração e exportação de gás e petróleo”, apontou.

A nível interno registam-se “danos em infraestruturas, sistemas produtivos e cadeias logísticas, dentre outros, com impacto negativo na produção interna, sobretudo agrária” em resultado da época das chuvas, que já mataram 270 pessoas.

O secretário de Estado do Tesouro e Orçamento garantiu na terça-feira que Moçambique tem 75 mil toneladas de combustíveis, quantidade considerada suficiente até princípios de maio, após o Irão encerrar o estreito de Ormuz devido ao conflito no Médio Oriente.

Acrescentou que cerca de 80% das importações de combustíveis de Moçambique transitam pelo estreito de Ormuz, vindos do Médio Oriente.

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O número de mortos na atual época das chuvas em Moçambique ascende a 270, com registo de quase 870 mil pessoas afetadas, desde outubro, segundo dados atuais do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

Foram afetadas 869.055 pessoas na presente época das chuvas – que se prolonga ainda até abril -, correspondente a 200.845 famílias, havendo também 10 desaparecidos e 333 feridos, segundo o mesmo balanço.

Só as cheias de janeiro provocaram, pelo menos, 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afetando globalmente 724.131 pessoas. Já a passagem do ciclone Gezani em Inhambane, em 13 e 14 de fevereiro, causou mais quatro mortos e afetou 9.040 pessoas, segundo os dados atualizados do INGD sobre a época das chuvas.

Um total de 15.330 casas ficaram parcialmente destruídas, 6.182 totalmente destruídas e 183.824 inundadas, na presente época chuvosa. Ao todo, 302 unidades de saúde, 83 locais de culto e 720 escolas foram afetadas em quase cinco meses e meio.

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Os dados do INGD indicam ainda que 399.749 hectares de áreas agrícolas foram perdidos e 530.998 animais morreram, entre bovinos, caprinos e aves. Foram afetados 7.845 quilómetros de estrada, 36 pontes e 123 aquedutos.

Desde outubro, o instituto de gestão de desastres moçambicano ativou 149 centros de acomodação, que chegaram a albergar 113.478 pessoas, dos quais 19 ainda estão ativos, com pelo menos 5.611 pessoas, além do registo de 6.931 pessoas que tiveram de ser resgatadas.

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