O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Guo Jiakun, declarou em conferência de imprensa que os países latino-americanos “são Estados soberanos e independentes” com direito a escolher os seus próprios parceiros e modelos de desenvolvimento.
Guo sublinhou que a China mantém relações com os países da América Latina e das Caraíbas com base nos princípios de “respeito mútuo, igualdade e benefício recíproco, abertura e inclusão e cooperação vantajosa para ambas as partes”, reiterando que estes laços “não são dirigidos contra nenhuma terceira parte nem devem ser afetados por terceiros”.
As declarações surgem depois de Trump ter realizado no passado sábado, na Florida, a cimeira denominada “Escudo das Américas”, que reuniu uma dúzia de líderes latino-americanos aliados e na qual advertiu que os Estados Unidos não permitirão que “influências estrangeiras hostis” se estabeleçam no hemisfério ocidental.
Durante o encontro, o presidente norte-americano referiu também o Canal do Panamá como uma infraestrutura estratégica e reiterou a sua preocupação com a presença de atores estrangeiros em torno desta via crucial para o comércio mundial.
As palavras de Guo surgem um dia depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, ter pedido que “terceiras partes” não interfiram nas relações entre a China e a América Latina, durante a sua conferência de imprensa anual realizada no âmbito da sessão da Assembleia Popular Nacional.
O chefe da diplomacia chinesa defendeu que a cooperação entre ambas as partes não responde a cálculos geopolíticos nem exige que os países da região “tomem partido”.