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EUA em guerra com o Irão: especialistas alertam para custos bilionários e risco de falta de armamento

O conflito entre os Estados Unidos e o Irão entrou numa fase aberta com a Operação Epic Fury, lançada em conjunto com Israel, que já atingiu mais de 1.250 alvos e destruiu 11 navios da Marinha iraniana. O presidente Donald Trump avisou que os ataques poderão prolongar-se por várias semanas, levantando dúvidas sobre a capacidade financeira e logística dos EUA.

Especialistas destacam que, embora os EUA tenham recursos orçamentais elevados, o verdadeiro desafio é manter o inventário de armas sofisticadas, incluindo mísseis interceptores e drones de ataque.

Desde 2023, os EUA gastaram cerca de 21,7 mil milhões de dólares em ajuda militar a Israel, mais 9,65 a 12,07 mil milhões em operações no Irão, Iémen e Médio Oriente, elevando o total entre 31 e 34 mil milhões de dólares. Apenas a primeira fase da Operação Epic Fury custou cerca de 1,4 mil milhões de dólares, incluindo mobilização e pré-posicionamento de forças.

A operação envolve mais de 20 sistemas de armas distintos, entre aviões de combate, bombardeiros furtivos, drones, artilharia de foguetes, mísseis de cruzeiro e sistemas de defesa antimíssil como Patriot e THAAD.

Christopher Preble, investigador sénior no Stimson Center, explicou à Al Jazeera: “O Pentágono não publicou o custo total, então só podemos especular… Mas há muitas peças móveis, e podemos estimar o custo das armas individuais e das operações navais.”

Preble sublinhou que a questão mais crítica não é o custo financeiro, mas a disponibilidade de armamento: “O que preocupa mais é o inventário real de armas, especialmente interceptores – como os mísseis Patriot ou SM-6 – usados para interceptar mísseis balísticos. O ritmo atual de operações não pode continuar indefinidamente.”

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Ele acrescentou que durante um conflito anterior de 12 dias contra o Irão, em junho passado, já havia especulações sobre a escassez de interceptores, que continuam a ser necessários noutros teatros, incluindo a Ucrânia e o Indo-Pacífico.

Preble alerta também para a produção: “Um míssil Patriot ou SM-6 é um equipamento muito complexo. Não é como se os fabricassem centenas ou milhares por dia. Este não é o ritmo de produção necessário para reposição imediata.”

O dilema estratégico

Especialistas destacam que, apesar do elevado orçamento de defesa norte-americano – um trilião de dólares, com proposta de aumento para 1,5 triliões – o desafio real está na sustentabilidade operacional e logística, mais do que no custo direto.

Kevin Donegan, antigo diretor de operações do CENTCOM, frisou: “O foco dos EUA e de Israel é neutralizar rapidamente as capacidades ofensivas iranianas. Queremos parar ou pelo menos reduzir os ataques deles o máximo possível.”

O conflito continua a expandir-se e coloca em evidência a complexidade da guerra moderna, onde o custo financeiro e o desgaste do inventário de armas avançadas podem ser tão decisivos quanto a estratégia militar em campo.

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