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“Two Sessions” na China: o maior encontro de política do país começa hoje. Saiba o que está em jogo (com vídeo)

Arrancou hoje na China o evento político mais importante do ano: as chamadas “Two Sessions” (em português, “Duas Sessões”). Embora os debates e apresentações tenham início hoje, as decisões oficiais e resoluções só serão anunciadas a partir de amanhã.

O que são as Two Sessions?

O termo Two Sessions refere-se à reunião simultânea de duas importantes instituições chinesas:

Congresso Nacional do Povo (NPC, National People’s Congress) – o parlamento chinês, composto por milhares de deputados que representam todas as províncias e regiões da China. É responsável por aprovar leis, o orçamento nacional e outras políticas centrais.

Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CPPCC, Chinese People’s Political Consultative Conference) – um órgão consultivo que reúne representantes de diversos setores da sociedade, incluindo minorias étnicas, empresas estatais, académicos e líderes de associações civis. A CPPCC tem caráter consultivo e discute políticas, mas não aprova leis.

O encontro anual destas duas instituições permite à liderança chinesa definir a agenda política, económica e social do país para o ano. É, portanto, um momento de grande importância para investidores, analistas internacionais e cidadãos que acompanham as prioridades do governo.

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Por que é tão relevante?

Durante as Two Sessions, a China define:

  • Política económica: metas de crescimento, investimentos em infraestrutura, fiscalidade e política monetária.
  • Reformas sociais: educação, saúde, habitação e políticas de envelhecimento populacional.
  • Segurança e política externa: estratégias de defesa e posicionamento em relações internacionais.

As decisões e orientações anunciadas nas Two Sessions têm impacto não apenas na China, mas também nos mercados globais e nas cadeias de produção internacionais, dado o papel central do país na economia mundial.

Quais são as expectativas para este ano?

  •  Crescimento económico

O Premier Li Qiang deverá anunciar um alvo de crescimento do PIB em torno de 4,5% a 5%.

Esse valor representaria o crescimento mais baixo já definido desde 2010, refletindo a desaceleração económica e permitindo foco em reformas estruturais.

Alguns analistas preveem 4,6%, enquanto outros apontam que Pequim poderá manter um intervalo em vez de uma meta única.

O objetivo será alinhado ao 15º Plano Quinquenal, iniciado este ano, e às metas de 2035, com ênfase na autossuficiência tecnológica.

  • Inflação

Espera-se um teto de inflação em 2%, semelhante ao ano anterior, o mais baixo em duas décadas.

O objetivo funciona como limite, refletindo a baixa procura doméstica e sinais de confiança do consumidor ainda fraca.

O índice de preços ao consumidor incluirá maior peso de serviços, para refletir mudanças recentes no consumo.

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  • Déficit orçamental

O governo deverá definir um déficit de 4% do PIB, igual ao valor de 2025, que já foi o mais elevado desde 2010.

O alvo indica uma política fiscal expansionista, mesmo em contexto de crescimento mais moderado.

  • Estímulos e apoio sectorial

Espera-se anúncios sobre medidas de estímulo ao consumo, incluindo subsídios para troca de produtos (trade-in) e incentivos ao mercado imobiliário, que enfrenta dificuldades.

As políticas serão analisadas para entender como Pequim lida com tensões comerciais com os EUA e os efeitos do conflito no Médio Oriente.

  • Desafios estruturais

Persistem limitações na capacidade do governo em impulsionar a procura interna, devido a empréstimos elevados a governos locais e empresas estatais pouco produtivas.

O investimento privado continua fraco, o que reduz o retorno económico das medidas fiscais e monetárias.

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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