O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, sublinhou esta quinta-feira (18) a importância de manter uma relação próxima com os Estados Unidos, afirmando que Washington apoiou Israel durante a guerra no Médio Oriente.
As declarações de Netanyahu surgem numa altura em que as relações com o principal aliado do país atravessam um período de tensão devido ao acordo entre os Estados Unidos e o Irão para pôr termo ao conflito. Analistas israelitas criticaram duramente o entendimento, argumentando que este consolida os ganhos iranianos, adiando ao mesmo tempo a questão mais sensível para Israel: a sua segurança.
“A luta ainda não terminou e existem desafios adicionais pela frente. Estes exigem ponderação, uma defesa firme dos interesses de segurança de Israel e, ao mesmo tempo, a preservação da nossa relação vital com os nossos amigos americanos, que estiveram lado a lado connosco nesta luta; uma parceria que apreciamos profundamente”, afirmou Netanyahu durante um evento, segundo um comunicado divulgado pelo seu gabinete.
Netanyahu ainda não comentou diretamente o acordo, embora alguns membros da sua coligação o tenham desvalorizado mesmo antes da divulgação dos seus detalhes, na quarta-feira. Os termos do acordo preveem “uma cessação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano”.
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Embora o acordo contemple a diluição das reservas iranianas de urânio enriquecido, não faz qualquer referência à forma de lidar com o programa de mísseis do Irão – cujo desmantelamento era um dos principais objetivos dos Estados Unidos e de Israel durante a guerra.
A infraestrutura de mísseis iraniana foi alvo de intensos bombardeamentos norte-americanos e israelitas durante o conflito, mas Teerão continuou a responder com ataques de mísseis e drones em toda a região.
“Acordem”
Na quarta-feira, o Presidente norte-americano, Donald Trump, pareceu mesmo suavizar a sua posição, afirmando que seria “injusto” que o Irão não pudesse possuir mísseis.
“Estou a dizer que, se outros países os têm, é um pouco injusto que eles não tenham alguns”, declarou Trump. “Um míssil balístico não é a mesma coisa daquilo de que falamos quando falamos de armas nucleares.”
E, horas antes do anúncio do acordo, Trump criticou duramente Netanyahu pelos ataques lançados no Líbano que, segundo ele, ameaçavam comprometer o entendimento.
“Ele é uma pessoa muito difícil”, disse Trump sobre Netanyahu, acrescentando: “E, para ser sincero, devia estar muito agradecido pelo que fizemos. Porque, se o Irão tivesse uma arma nuclear, Israel não duraria duas horas.”
O portal noticioso norte-americano Axios noticiou que Trump compreendia que o Hezbollah estava a disparar foguetes e drones contra Israel e que Israel precisava de se defender, mas considerava que Netanyahu tinha escalado o conflito de forma desproporcionada nos últimos dias.
Citando um responsável norte-americano, o Axios indicou ainda que Trump estava preocupado com o elevado número de vítimas civis no Líbano e se opunha à destruição de edifícios inteiros para eliminar um único comandante do Hezbollah.
Na quinta-feira, Netanyahu reiterou que as forças israelitas permanecerão no sul do Líbano. “Vamos restabelecer a segurança e a prosperidade nas comunidades do norte de Israel”, afirmou. “Isso exige a manutenção da zona de segurança no sul do Líbano e exige que não nos retiremos dessa área enquanto as necessidades de segurança de Israel assim o determinarem.”
Entretanto, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, criticou os ministros israelitas que atacaram o acordo com o Irão, afirmando que estes “acordem para a realidade”.
“Se eu fizesse parte do Governo israelita, talvez não estivesse a atacar o único aliado poderoso que me resta em todo o mundo”, declarou Vance durante uma conferência de imprensa na Casa Branca, na quinta-feira.