O secretário-geral do organismo internacional ao serviço da Ibero-América, Andrés Allamand, apelou, na quinta-feira, a uma ação conjunta e rápida para proteger as línguas espanhola e portuguesa no mundo da Inteligência Artificial (IA) e evitar que fiquem “para trás” nesta tecnologia. Allamand fez esta declaração em Madrid, durante o Fórum Digital “Horizonte Digital Ibero-Americano”, que este ano antecede a Cimeira Ibero-Americana, a realizar em Madrid nos dias 4 e 5 de novembro.
Na sua apresentação, Allamand afirmou que “a IA é 90% impulsionada pelo inglês, segundo a Gemini”. A este propósito, o secretário-geral Ibero-Americano disse que a região deve preocupar-se com “o grande trunfo que é o espanhol”, porque, caso contrário, os modelos linguísticos pensarão em inglês, “e esse é o problema fundamental”.
O responsável lembrou também as línguas oficiais do Secretariado Ibero-Americano, como o português e as suas variantes, e as línguas oficiais dos 22 países-membros, noticiou a agência Europa Press.
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Neste contexto, tanto Allamand como o diretor da Agência Espanhola de Supervisão da Inteligência Artificial (AESIA), Alberto Gago, concordaram sobre a necessidade de os 22 países da região ibero-americana – 19 na América Latina e Espanha, Portugal e Andorra na Europa – unirem esforços.
“Ou a Ibero-América age em conjunto e rapidamente, ou ficará para trás na revolução da Inteligência Artificial”, alertou Allamand, enfatizando a necessidade de coesão territorial e a procura da “soberania digital, cultural e linguística” face ao “duopólio tecnológico dos EUA e da China”.
Gago apelou à colaboração para a criação de uma IA que sirva os interesses ibero-americanos e deu nota de que Espanha está a promover o código aberto e a “computação quântica”, que é um dos novos objetivos a perseguir.
O secretário-geral concordou com o presidente da AESIA sobre a necessidade de regular a tecnologia, com foco nas pessoas e também nos direitos offline, como o “direito à desconexão”. Este direito surgiu após a assinatura da Carta Ibero-Americana de Princípios e Direitos em Ambientes Digitais (CIPDED) na Cimeira Ibero-Americana de 2023, na República Dominicana.
Salientaram ainda a necessidade de coesão e de redução da exclusão digital. Para Allamand, a regulamentação é muito mais difícil porque, embora até então fosse “relativamente controlável”, agora “abrange tudo”.
Atualmente, segundo o secretário-geral Ibero-Americano, “o ritmo do desenvolvimento tecnológico é muito acelerado”, apontando também que a fragmentação dos parlamentos ibero-americanos dificulta a regulamentação.