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China adverte cidadãos que residência na Rússia pode implicar serviço militar

Pequim alertou hoje os seus cidadãos para uma nova lei russa que pode exigir um ano de serviço militar a estrangeiros que peçam residência, num contexto de crescente recrutamento internacional por Moscovo para sustentar a guerra na Ucrânia

Lusa - China

Num aviso publicado na sua conta oficial nas redes sociais, o consulado chinês na cidade russa de Vladivostoque indicou que, ao abrigo das novas regras relativas às autorizações de residência permanente na Rússia, cidadãos estrangeiros do sexo masculino entre os 18 e os 65 anos poderão ser obrigados a assinar um contrato de serviço numa unidade militar russa por um período mínimo de um ano.

Segundo a mesma nota, os requerentes poderão ficar isentos caso apresentem documentação das autoridades russas que comprove serviço militar anterior ou justifique dispensa por motivos médicos. Caso contrário, deverão aceitar formalmente a prestação de serviço.

O consulado aconselhou os cidadãos chineses a “tomarem decisões prudentes com base nas suas circunstâncias individuais para garantir um estatuto de residência legal na Rússia”.

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O aviso surge num momento em que Moscovo enfrenta dificuldades persistentes no recrutamento interno para sustentar a ofensiva militar na Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, e tem recorrido de forma crescente a cidadãos estrangeiros para reforçar as suas fileiras.

De acordo com a Coordenação Ucraniana para o Tratamento de Prisioneiros de Guerra, quase 200 estrangeiros de 37 países foram capturados a combater ao lado da Rússia e encontram-se atualmente detidos na Ucrânia.

Autoridades ucranianas estimam que mais de 18.000 estrangeiros, provenientes de 128 países e territórios, tenham combatido ou estejam a combater ao lado das forças russas, número que não inclui militares norte-coreanos destacados no âmbito de um acordo bilateral.

Segundo responsáveis da inteligência militar ucraniana, o número de estrangeiros identificados na frente de combate aumentou de forma significativa em 2025, tendo duplicado face ao ano anterior.

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Kiev acusa Moscovo de recorrer a “chantagem, suborno e engano” para recrutar combatentes estrangeiros, incluindo através da promessa de vistos, autorizações de residência e cidadania russa. Em alguns casos, segundo as autoridades ucranianas e organizações de direitos humanos, migrantes oriundos da Ásia Central terão sido pressionados com ameaças de deportação ou prisão.

A Rússia tem facilitado a concessão de passaportes a estrangeiros que aceitem servir nas Forças Armadas, ao mesmo tempo que aprovou legislação que permite retirar a cidadania a naturalizados que não se registem para o serviço militar.

Moscovo nega forçar estrangeiros a alistarem-se. No entanto, vários governos, incluindo os do Quénia, Índia, África do Sul, Nepal e Cuba, manifestaram preocupação com o recrutamento dos seus cidadãos e pediram às autoridades russas que ponham termo à prática.

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