Em entrevista à SIC Notícias, Paulo Rangel defendeu que qualquer solução deverá traduzir-se numa paz “justa e duradora”, sem cedência de território que não seja aceite pelos próprios ucranianos e acompanhada de garantias de segurança.
Apesar de admitir que o desfecho do conflito “é algo que não dá para prever”, o governante considera que “pode haver chances”, apontando para o atual impasse no terreno e para as circunstâncias económicas da Rússia.
Para o chefe da diplomacia portuguesa, os Estados Unidos têm um papel central no processo negocial, enquanto a China poderá também assumir uma função de mediação, “nem que fosse nos bastidores”.
Na mesma entrevista, Rangel salientou que Kiev tem feito “enormes esforços” para se aproximar de uma “posição aceitável” para Moscovo, acrescentando que muitas das negociações não têm sido produtivas, com “responsabilidade quase exclusiva” da Federação Russa.
O ministro entende que existem “condições” para um acordo de paz, mas considera que “está tudo do lado da Rússia”.
A Rússia lançou uma ofensiva militar em grande escala contra a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, numa invasão que, segundo Rangel, constitui uma violação da Carta das Nações Unidas, da integridade territorial e da soberania de um Estado, criando um “precedente gravíssimo”. O conflito é o mais significativo na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.