“Hoje [ontem], reuni-me com a delegação russa. Amanhã [hoje], reunir-nos-emos com a delegação chinesa, entre outras”, declarou à comunicação social em Genebra o alto responsável do Departamento de Estado norte-americano, que solicitou o anonimato.
Segundo a mesma fonte, também decorreram “reuniões preparatórias” entre diversos países em Washington, após o fim da validade do tratado New START, no início de fevereiro, pelo que estas são mais centradas em questões de fundo.
O Tratado New START, assinado em 2010 entre a Rússia e os Estados Unidos, limitava o número de lançadores e ogivas nucleares estratégicas instaladas. Expirou a 5 de fevereiro, uma vez que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não respondeu à proposta de Moscovo para o prorrogar.
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Trump defendeu um “novo, melhorado e modernizado tratado” com a Rússia, argumentando que o New START tinha sido “mal negociado”, na altura, pelo Governo do Presidente democrata Barack Obama.
Os Estados Unidos também pretendem há algum tempo incluir a China em quaisquer futuras conversações, algo que Pequim rejeita, argumentando que o seu arsenal nuclear, embora em desenvolvimento, se mantém numa escala mais pequena.
Em fevereiro, Moscovo não excluiu tais negociações com Pequim, mas condicionou-as à participação de França e do Reino Unido.
O secretário de Estado Adjunto norte-americano para o Controlo de Armas e Não-Proliferação, Christopher Yeaw, sustentou hoje em Genebra que a “principal falha” do Tratado New START foi provavelmente a sua incapacidade de “ter em conta a expansão sem precedentes, deliberada, rápida e opaca do arsenal nuclear da China”.
Em resposta, o embaixador chinês encarregado do desarmamento em Genebra, Shen Jian, afirmou que “o arsenal nuclear da China não é comparável ao dos países que possuem os maiores arsenais nucleares”.
“Não é justo, nem razoável, nem realista esperar que a China participe em pretensas negociações trilaterais”, acrescentou.
Segundo o alto responsável norte-americano, Donald Trump está a incentivar “as negociações multilaterais, o diálogo multilateral sobre a estabilidade estratégica e as negociações de controlo de armamentos” com o objetivo de alcançar “um acordo melhor”.
“Não vamos ficar presos a um formato específico de negociações ou de diálogo”, declarou, indicando que ocorreram igualmente conversações com França e o Reino Unido em diversas ocasiões.