Num discurso dedicado às questões de defesa e segurança, Starmer afirmou que, durante décadas, a guerra foi encarada pelos cidadãos britânicos como um fenómeno distante. Segundo o primeiro-ministro, essa perceção está a mudar, com a estabilidade que sustentou a paz europeia a revelar sinais de fragilidade, dando o caso das ameaças da Rússia.
O líder britânico apontou a invasão da Ucrânia como um exemplo claro da disposição russa para recorrer à força, sublinhando que Moscovo recorre também a instrumentos não militares para exercer pressão. Entre eles, destacou campanhas de desinformação, ciberataques, sabotagem e o apoio a movimentos populistas, que considera ameaças diretas à coesão social e aos valores democráticos europeus.
Apesar de classificar a ofensiva russa na Ucrânia como um erro estratégico, Starmer advertiu que o Kremlin continua a reforçar as suas capacidades militares. Citando avaliações da NATO, afirmou que existe o risco de a Rússia estar preparada para confrontar a Aliança Atlântica até ao final da presente década.

Starmer sublinhou ainda que um eventual acordo de paz na Ucrânia não significaria o fim das ameaças à Europa. Defendeu que os países europeus não procuram o confronto, mas devem investir seriamente na dissuasão e na capacidade de defesa coletiva.
Nesse sentido, apelou a uma maior cooperação entre os países europeus, defendendo que a Europa deve assumir maior responsabilidade pela sua própria segurança. Para o primeiro-ministro britânico, isso passa por reforçar a capacidade europeia dentro da Nato e aprofundar a cooperação entre o Reino Unido e a União Europeia, colocando de lado interesses políticos de curto prazo.