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China intensifica críticas a Taipé com acusações de repressão política e cedência aos EUA

A China acusou Taipé de abusar do sistema judicial ao deter um jornalista por alegada espionagem e de “vender” os interesses da ilha num acordo comercial com os Estados Unidos, num novo endurecimento do discurso de Pequim contra Taipé

Plataforma com Lusa

Pequim subiu o tom contra as autoridades taiwanesas esta quarta-feira, acusando-as simultaneamente de repressão política interna e de comprometer os interesses estratégicos da ilha no plano externo. As críticas surgem na sequência da detenção, em Taiwan, de um jornalista acusado de fornecer informação militar à China continental e do anúncio de um acordo comercial entre Taipé e Washington.

Em conferência de imprensa, o porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado chinês, Peng Qing’en, afirmou que a prisão preventiva do jornalista Lin Chen-you e de cinco militares, no activo e na reserva, é mais um exemplo de como o Partido Democrático Progressista (PDP), no poder em Taiwan, “abusa dos meios judiciais para intimidar e reprimir opositores políticos”, rotulando terceiros de forma “imprudente” como infiltrados.

Segundo Peng, o uso de “interesses partidários e pessoais” contribuiu para a criação de um “terror verde”, numa referência à cor associada ao PDP, destinado a “incitar a confrontação e a hostilidade” entre as duas margens do Estreito de Taiwan. O responsável chinês não comentou os detalhes do processo nem apresentou provas adicionais.

As autoridades judiciais taiwanesas sustentam que os arguidos poderão ter violado a Lei de Segurança Nacional, a Lei Anticorrupção e o Código Penal, ao fornecerem “informação militar relevante” a contactos ligados a Pequim.

A imprensa local refere que o jornalista detido trabalhava para a CTi News, um órgão de comunicação social considerado favorável a uma aproximação à China continental. A empresa pediu um processo “justo e equitativo” e negou buscas às suas instalações.

Paralelamente, Pequim criticou o acordo comercial recentemente alcançado entre Taiwan e os Estados Unidos, classificando-o como um “documento de rendição” que irá “esvaziar a base industrial de vanguarda” da ilha. O pacto prevê a redução de tarifas sobre produtos taiwaneses e compromissos de investimento e crédito no valor total de cerca de 500 mil milhões de dólares por parte de empresas de semicondutores e de Taipé em território norte-americano.

Peng Qing’en acusou Washington de exercer “pressão máxima” através das tarifas e afirmou que as autoridades do PDP se orgulha de um acordo que permitirá aos Estados Unidos “espoliar” a indústria de semicondutores da ilha. Segundo o porta-voz, tal caminho transformará Taiwan numa “ilha oca” e demonstra que a aposta na independência é “um beco sem saída”.

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