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“Economia pet” ganha terreno

A “economia pet” entrou definitivamente no quotidiano local, impulsionada por tutores que tratam os animais como família e alimentam novos nichos de consumo: de viagens em jato privado, ainda restritas pelo custo e pelas dificuldades criadas por um Governo “muito pouco cooperante”; aos serviços funerários profissionalizados que já conquistaram procura estável, sinal de um mercado que se segmenta e amadurece a ritmo acelerado

Viviana Chan

A popularização dos animais de companhia tem impulsionado o crescimento de produtos e serviços relacionados em Macau. Uma agência de Hong Kong lançou recentemente viagens em avião privado para animais, ainda numa fase inicial devido ao preço elevado.

A procura por viagens que incluam animais tem-se tornado mais evidente. O fundador da Life Travel, Kenny Cheung, explica ao PLATAFORMA que a empresa nasceu há dez anos em Hong Kong e que, no último ano, começou a estudar a expansão dos serviços para a região da Grande Baía e Macau. Porém, o mercado local apresenta desafios concretos.

A reação do mercado local permanece “modesta”, mesmo com parcerias estabelecidas com empresas locais de aviação privada e do setor turístico, devido sobretudo ao custo. Além disso, os complexos procedimentos de quarentena têm desmotivado parte dos tutores. “O Governo de Macau deveria tomar mais medidas, porque neste momento tem sido muito pouco cooperante. O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), juntamente com os canis e outros serviços relacionados, está deliberadamente a dificultar a vida aos clientes. Precisam de colaborar com os donos de cães para promover o turismo ‘pet friendly’”.

A ausência de voos comerciais que aceitem animais obriga à utilização de aviões privados. Um itinerário básico para “um passageiro e um cão” custa cerca de 100 mil patacas, valor que exclui alojamento e transporte no destino. Assim, apesar de existir curiosidade, poucas viagens são efetivamente realizadas: a empresa opera apenas uma ou duas rotas por ano, com menos de 20 passageiros por voo.

De acordo com Cheung, o mercado da China continental é muito mais dinâmico, já que a maioria das companhias aéreas aceita transporte de animais, intensificando a concorrência e limitando o espaço para serviços de luxo. Por isso, a empresa aposta agora no desenvolvimento do segmento de viagens em avião privado para animais em Macau.

A operação das viagens começa no Centro de Aviação Comercial do Aeroporto Internacional de Macau. À chegada, os donos podem efetuar o ‘check-in’ dos seus animais e embarcar aproximadamente 45 minutos depois. A empresa recorre a um jato Gulfstream G450, com capacidade para 14 passageiros, oferecendo alimentação própria para animais durante o voo. O pacote inclui ainda hotel ‘pet friendly’, transporte e apoio de clínicas veterinárias no destino.

Rituais de despedida

Num momento em que os serviços de viagens de luxo para animais tentam conquistar mercado, os serviços ligados ao final de vida já se afirmam como uma área sólida da “economia pet.” O fundador da Pet Paradise que opera em Macau há mais de 10 anos, Jocka Lei, explica que a empresa disponibiliza um serviço funerário completo, de 24 horas, que inclui cremação individual, armazenamento das cinzas e conservação do corpo.

A empresa foi fundada devido à ausência deste tipo de oferta em Macau, numa altura em que o vínculo emocional entre tutores e animais crescia e aumentava a exigência por rituais de despedida mais cuidadosos. Com as mudanças sociais, afirma, os animais passaram de uma função sobretudo prática para o papel de “companheiros ou membros da família”. A queda na taxa de natalidade tem também levado muitos casais a investir emocionalmente nos seus animais.

As preços do serviço rondam as 1.000 patacas. Embora o valor possa parecer elevado, o fundador explica que os custos operacionais são substanciais, sobretudo devido ao combustível utilizado na cremação, num mercado em que o preço dos combustíveis é pouco flexível.

Quanto ao panorama geral, considera que a “economia pet” local “sempre existiu”, embora esteja próxima da saturação, com resultados “nem muito positivos, nem particularmente negativos”. Para ampliar o negócio, a Pet Paradise criou também um serviço de emigração de animais, apoiando tutores na preparação de processos administrativos, como quarentenas e documentação necessária quando se mudam para o exterior.

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