Macau encerra o primeiro semestre de 2025 com um duplo recorde que nenhum Governo gosta de exibir: o número mais baixo de novas empresas desde 2016 e o número mais alto de dissoluções na última década (ver páginas 8 a 9). É por demais evidente hoje que continuamos a ter setores inteiros presos à recuperação desigual da economia, onde o turismo e o Jogo correm à frente e tudo o resto fica para trás.
O retalho é o exemplo mais gritante — vítima da fraca confiança dos consumidores, do consumo crescente fora de Macau e online, e da concorrência feroz das regiões vizinhas. A aposta quase exclusiva no turismo e no Jogo deixou-nos expostos a choques externos que não controlamos: quando a despesa média por visitante cai, o rendimento local diminui e a procura interna retrai-se.
Ainda antes de ser eleito como Chefe do Executivo, Sam Hou Fai prometeu um plano de recuperação para os setores e zonas da cidade mais afetados. Mas até agora não há nada para mostrar. Dentro de poucos meses, fará um ano de mandato. Será que teremos novidades? Ou os sinais dados pela economia local ainda não são suficientemente alarmantes para que o tema seja prioridade?
Se o Governo quer exercer a tão falada “mão visível” no mercado, não pode simplesmente focar-se no futuro e deixar a grande maioria das empresas à mercê de uma morte lenta. A purga dos mais fracos, em Macau, significa perder uma parte substancial da mão de obra — uma mão de obra que dificilmente será absorvida pelos casinos ou pela Administração Pública, cujas vagas são limitadas, e que não tem, em larga medida, qualificação para as indústrias emergentes. O presente não pode ficar entregue ao abandono, só porque se promete um futuro.
* Diretor Executivo do PLATAFORMA