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Xia Baolong quer Governo focado nos objetivos de Xi

O diretor do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau esteve na RAEM seis dias, de 8 a 13 de maio, para inspecionar o trabalho do novo Executivo. Pediu maior consolidação do poder político no Governo e uma frente unida contra o protecionismo comercial dos Estados Unidos

Fernando M. Ferreira

Xia Baolong chegou a Macau a 8 de maio, com “o principal objetivo de avaliar a implementação do espírito do discurso do Presidente Xi Jinping”, afirma Lou Shenghua, professor de Ciências Sociais na Universidade Politécnica de Macau.

Em dezembro passado, o Presidente chinês veio a Macau no âmbito das comemorações do vigésimo quinto aniversário da transferência de soberania, e divulgou as “quatro esperanças” para Macau: diversificação económica, integração com a Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin, projeção internacional e consolidação do modelo político vigente. Nesse sentido, a visita de Xia foi também para “inspecionar a governação do novo Executivo desde que tomou posse”, afirma Lou ao PLATAFORMA.

O balanço, pelo menos do ponto de vista económico, foi positivo. Segundo Kevin Ho, deputado da Assembleia Popular Nacional, “Xia Baolong demonstrou total confiança na nossa recuperação económica e no crescimento do PIB deste ano”, disse, em declarações à TDM.

O capital não conhece fronteiras, mas os empresários têm uma Pátria
Xia Baolong, diretor do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau

Na agenda estiveram reuniões com os principais responsáveis dos órgãos Executivos, Legislativo e Judicial da RAEM, bem como os membros da Assembleia Popular Nacional e representantes do setor comercial e da sociedade civil. Aproveitou ainda para se encontrar com os anteriores líderes executivos: Ho Iat Seng, Chui Sai On e Edmund Ho.

Uma das áreas que maior foco mereceu foi o desenvolvimento da Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong–Macau em Hengqin. Xia apelou à responsabilidade do Governo local, afirmando que “devemos tratar a construção da Zona de Cooperação como um assunto de Macau”. O Governo anunciou recentemente a criação de um grupo de trabalho liderado pelo Chefe do Executivo, dedicado à implementação do plano conjunto. Ainda assim, Sam Hou Fai admitiu na conferência de imprensa da visita que a dependência do Jogo “não vai acabar tão cedo”, o que poderá afetar o ritmo de progresso em direção às metas previstas para 2035.

Avisos de lealdade

No comunicado do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau após a visita aos representantes comerciais, Xia enfatiza que “o capital não conhece fronteiras, mas os empresários têm uma Pátria”, acrescentando que “nenhum negócio consegue crescer sem o apoio da sua nação.”

Num momento de tensões geopolíticas com os Estados Unidos, com ações por parte de Washington que considera como “atos hegemónicos”, o responsável adverte que quem “não tiver espinha dorsal e se curvar e implorar por misericórdia”, ou “procurar apenas lucro e desconsiderando os interesses nacionais, será desprezado pelo povo chinês”.

O secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, referiu que Xia Baolong apelou à unidade dos empresários locais “contra o aumento do unilateralismo e do protecionismo comercial nos Estados Unidos”. Citou ainda a posição do dirigente: “Não há saída se fizermos compromissos e concessões.”

Xia Baolong demonstrou total confiança na nossa recuperação económica e no crescimento do PIB deste ano
Kevin Ho, deputado da Assembleia Popular Nacional

Em declarações ao South China Morning Post, Lau Siu-kai, consultor da Associação Chinesa de Estudos de Hong Kong e Macau, afirma que o apelo de Xia à defesa dos interesses nacionais demonstra que Pequim continua a encarar as relações com os EUA como “graves”, apesar do recente acordo bilateral para reduzir as tarifas por um período de 90 dias, enquanto negoceiam os próximos passos numa possível desescalada de tensões.

Mesmo num cenário de nova escalada de tensões, o Chefe do Executivo garantiu que as três operadoras de capital norte-americano, com contratos válidos até 2033, não serão prejudicadas “desde que, seguindo a lei, desenvolvam os seus negócios ordenadamente, de forma saudável.”

Lau Siu-kai afirma também que a mensagem de Xia foi mais direcionada para Hong Kong, sobretudo depois da recente venda de portos estratégicos no Canal do Panamá aos Estados Unidos pela CK Hutchison Holdings. “Está a pedir [às empresas] que não se ajoelhem perante os EUA e que o seu país seja sempre o lado para o qual devem virar-se quando enfrentam ataques e repressões,” disse ao jornal de Hong Kong.

Apesar dos avisos, Xia também fez questão de sublinhar a necessidade de trazer talentos internacionais, continuar a abrir Macau e “abraçar o mundo”, sobretudo através da expansão das “redes de negócios internacionais e comércio bilateral”, promovendo o princípio político de “Um País, Dois Sistemas”.

O Chefe do Executivo abordou o assunto, referindo que “temos de receber os amigos estrangeiros para investir e também concretizar os seus sonhos em Macau”, com especial interesse na área da tecnologia avançada. “Desde que sejam a favor da diversificação económica, são sempre bem-vindos”, pedindo que os empresários locais explorem os mercados estrangeiros, nomeadamente os de língua portuguesa e espanhola.

Na componente política, Xia Baolong alertou que a separação dos poderes Executivo e Legislativo não seguem os princípios ocidentais e que, conforme estipulado na Lei Básica, “deve haver predominância do Executivo”, defendendo o reforço da cooperação e o “respeito mútuo” dos orgãos de governação.

As forças patrióticas e pró-Macau estarão mais unidas, o princípio ‘patriotas a governar Macau’ será mais firme, e a governação abrangente do Governo Central sobre Macau combinar-se-á com o elevado grau de autonomia da Região Administrativa Especial”, considera Lou Shenghua.

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