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Cultura para desenvolver Hengqin

A Mahua FunAge, produtora líder na comédia teatral e cinematográfica chinesa, instalou-se em Hengqin com o objetivo de transformar a região num centro cultural inovador, habitável e turístico. Em entrevista ao PLATAFORMA, Li Tong, diretor de marketing, revela a visão estratégica da empresa para o futuro de Hengqin, os planos de formação de talentos e os resultados do Festival Internacional de Comédia de Macau, promovendo a integração cultural com a RAEM e a Grande Baía

Carol Law

Pode apresentar o trabalho e os planos da Mahua FunAge em Hengqin?

LI TONG: O nosso foco principal incide em quatro áreas: formação e incubação de talentos, operações teatrais e de espetáculos, parcerias financeiras e apoio a projetos.

De 21 a 26 de agosto de 2024, organizámos o “Campo de Treino de Comédia de Sketches” em Hengqin, com 20 participantes, dos quais 25% eram estudantes de Hong Kong e Macau. No futuro, pretendemos continuar a oferecer cursos como comédia improvisada e teatro musical. Ao mesmo tempo, usamos o Festival Internacional de Comédia de Macau como plataforma para descobrir e cultivar jovens talentos da comédia.

Em termos de atuações regulares, operamos um pequeno teatro no Centro Cultural e Artístico de Hengqin, com um programa diferenciado de outros espaços na China continental, oferecendo espetáculos de comédia únicos que permitem ao público de Macau e Hengqin desfrutar da comédia de perto. Planeamos também criar uma companhia local residente, consolidando assim a indústria das artes performativas em Hengqin.

O Centro Cultural e Artístico de Hengqin tem uma importância estratégica e funcional significativa

Além disso, vamos introduzir produções populares. Por exemplo, na segunda edição do Festival Internacional de Comédia de Macau, apresentámos a versão chinesa da conhecida animação infantil britânica O Dia Divertido da Peppa Pig, com 12 atuações consecutivas a partir de 1 de maio no Centro Cultural de Hengqin. Este verão, o teatro apresentará também versões em mandarim e cantonês da peça internacional Shear Madness, incorporando humor inspirado na realidade de Macau.

Estabelecemos igualmente em Hengqin o nosso Centro Internacional de Negócios e Centro de Direitos de Autor. Aqui, reunimos comédias de excelência de todo o mundo e refinamo-las com atuações contínuas em Macau e Hengqin, criando uma sinergia positiva entre empresa e mercado. A nível nacional, pretendemos entrar no mercado continental através da rede da Mahua FunAge; a nível internacional, queremos expandir-nos através do Festival Internacional de Comédia de Macau. Além disso, planeamos criar, em conjunto com o Fundo Orientador de Hengqin, um fundo para apoiar projetos artísticos e culturais de excelência, promovendo o desenvolvimento das indústrias culturais e das artes performativas em Hengqin.

Existem vários espaços de espetáculos nas áreas vizinhas, como Zhuhai, Shenzhen e Hong Kong. Na sua opinião, quais são as vantagens do Centro Cultural e Artístico de Hengqin?

LI TONG: Sendo a primeira instalação cultural e artística de grande escala na Zona de Cooperação Aprofundada Hengqin-Guangdong-Macau, o Centro Cultural e Artístico de Hengqin tem uma importância estratégica e funcional significativa.

Está localizado no coração da Grande Baía, com acessos convenientes e um alcance populacional alargado. Além disso, pode aproveitar as “quatro novas indústrias” de Hengqin e a estratégia “1+4” de Macau, permitindo que o centro se desenvolva gradualmente como um núcleo de integração cultural e turística. Por fim, pode promover atividades culturais conjuntas entre Macau e Hengqin, fomentando uma identidade cultural partilhada entre os residentes e impulsionando o desenvolvimento cultural, económico e social da região.

Em Macau, os apoios políticos à cultura podem ser mais específicos. Seria útil criar medidas adaptadas aos diferentes tipos de empresas e projetos artísticos

O desenvolvimento de grupos locais de artes performativas tem sido limitado por recursos e audiência reduzidos. Que oportunidades trará a Mahua FunAge para os grupos locais?

LI TONG: Como empresa de referência no entretenimento na China, a Mahua FunAge tem grande influência de marca e poder de atração de mercado. Ao longo dos anos, construímos uma base sólida de público com os nossos trabalhos em teatro, musicais e cinema. Isto permite que grupos locais tirem partido das nossas plataformas já consolidadas para ampliar o seu alcance.

Somos também conhecidos pelo nosso modelo “Teatro + Cinema + Agência de Artistas”, que aumenta o valor comercial das obras e diversifica o público através de promoção multicanal. A nossa experiência em criação, marketing e gestão operacional pode servir como referência e incentivo à cooperação com instituições culturais de Macau.

Hengqin, sendo uma ilha internacional de lazer e turismo, é rica em recursos culturais e turísticos. Combinando paisagens naturais e património histórico, podemos desenvolver espetáculos imersivos que criem oportunidades para os grupos locais.

As LAG mencionaram o desenvolvimento de um distrito turístico e cultural internacional integrado e da Cidade Universitária Macau-Hengqin. Qual é a visão da Mahua FunAge para o futuro de Hengqin?

LI TONG: Temos grandes expectativas para o futuro de Hengqin, acreditando que se tornará uma metrópole internacional vibrante. Várias medidas políticas estão alinhadas com a nossa estratégia de desenvolvimento, dando-nos uma visão mais clara do potencial da região.

A nossa visão para Hengqin é torná-la uma cidade internacional, inovadora, culturalmente próspera, habitável, agradável e amiga do turismo

Resumidamente, a nossa visão para Hengqin é torná-la uma cidade internacional, inovadora, culturalmente próspera, habitável, agradável e amiga do turismo. O Centro Cultural de Hengqin deverá ser uma plataforma relevante de intercâmbio cultural internacional, trazendo para Hengqin peças e exposições de renome mundial e, ao mesmo tempo, promovendo obras culturais chinesas no estrangeiro. Isto aumentará a influência cultural da região e da Grande Baía. A Mahua FunAge continuará a contribuir com o nosso humor e criatividade, esperando que Hengqin se torne ainda mais internacional, atraindo talentos e empresas globais.

No futuro, Hengqin poderá desenvolver-se como uma cidade cultural diversificada, com atividades vibrantes e produtos culturais e turísticos distintivos que permitirão aos visitantes experimentar o encanto cultural da região enquanto a exploram.

 

O Festival Internacional de Comédia já vai na segunda edição. Como avaliam os resultados obtidos?

LI TONG: O festival inaugurou um novo modelo de espetáculos culturais “um festival, dois locais”, criando uma forte ligação entre Macau e Hengqin e estabelecendo um exemplo de integração cultural na Grande Baía. As duas edições apresentaram comédias internacionais, como óperas cómicas espanholas e comédia física norueguesa, promovendo a fusão de culturas humorísticas em Macau e Hengqin.

Na primeira edição, organizámos com a Escola de Teatro da Academia de Artes Performativas de Macau um programa de formação para comediantes, revelando uma nova geração de talentos. Na segunda edição, lançámos um “fórum de capital de risco para comédia”, reunindo criadores consagrados e novos argumentistas para fomentar novos projetos. Mais de 300 propostas foram recebidas, das quais seis foram selecionadas para apresentações imersivas.

Convidámos também figuras de destaque como Zhang Yimou, Ma Li e Aamir Khan para debater o futuro da comédia em fóruns especiais, promovendo intercâmbio e colaboração no sector. O festival atraiu diversas audiências, celebridades e cobertura mediática significativa. Este ano, alcançámos mais de 35 milhões de participações online, 216 tópicos em destaque (um aumento de 600% face à edição anterior) e mais de 2.000 reportagens em 500 órgãos de comunicação, incluindo a CCTV, Agência Xinhua e Diário do Povo. Cerca de 10.000 pessoas participaram presencialmente em Macau e Hengqin.

Este sucesso reforçou a visibilidade cultural da região e contribuiu para o posicionamento de Macau como “Cidade Cultural da Ásia Oriental”. O festival também atraiu empresas culturais e turísticas para Hengqin, criando condições para a integração das indústrias culturais e turísticas. – Em relação ao futuro de Macau e Hengqin, tem alguma sugestão para os governos?

LI TONG: Em Macau, os apoios políticos à cultura podem ser mais específicos. Seria útil criar medidas adaptadas aos diferentes tipos de empresas e projetos artísticos — por exemplo, critérios distintos para atrair espetáculos internacionais, apoiar obras locais originais ou ajudar pequenas companhias de teatro.

Além disso, seria benéfico convidar companhias e artistas internacionais de renome para actuar em Macau, elevando o nível artístico e atraindo público global. Também sugerimos fortalecer a cooperação com instituições culturais internacionais, promovendo intercâmbio de experiências e boas práticas.

Em Hengqin, poderia ser criada uma plataforma de cooperação cultural orientada para a Grande Baía, facilitando o intercâmbio entre empresas, instituições e talentos da cultura. Políticas mais favoráveis ajudariam a atrair empresas culturais de Hong Kong e Macau, criando um polo de inovação e colaboração cultural. Hengqin poderia ainda apoiar o desenvolvimento da indústria cultural de Macau com espaços criativos a preços acessíveis, salas de espetáculos e apoio à promoção.

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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