Início » “Forte apoio da Pátria” e “intimamente ligado ao mundo”

“Forte apoio da Pátria” e “intimamente ligado ao mundo”

Confrontado por deputados cuja preocupação concentrou-se na proteção do emprego local, apoio às PME, e recuperação dos bairros antigos, o secretário para a Economia e Finanças projetou o rumo da captação de investimento, promoção de novos negócios, e internacionalização da economia, como forma de participar no desenvolvimento nacional

Paulo Rego

Tai Kin Ip voltou esta semana, na Assembleia Legislativa, a insistir na ideia das “dificuldades” estruturais que a economia local enfrenta. Agravadas pela circunstância do “agravamento do unilateralismo e do protecionismo”, dando origem a “incertezas” às quais Macau, “sendo uma microeconomia orientada para o exterior, e altamente aberta, dificilmente consegue isolar-se”.

O modelo económico excessivamente dependente do Jogo perpassa todo o discurso político do novo ciclo, mas também a crença nas “oportunidades” que o “plano nacional” oferece a Macau: “A Pátria é desde sempre o nosso forte respaldo, a economia do nosso país possui uma base sólida, múltiplas vantagens, grande resiliência e um potencial significativo”. E diga-se, também condução e apoio político de Pequim, ideia reforçada pelo porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau, assim que o Chefe do Executivo terminara a apresentação do relatório das Linhas de Acção Governativa, na semana passada: “As Linhas de Acção Governativa enfrentam os problemas e desafios de forma direta, reforçam o planeamento estratégico e a reforma institucional, e propõem um conjunto de novas ideias e iniciativas, demonstrando o sentido de responsabilidade, compromisso com a inovação e determinação em ultrapassar dificuldades por parte do novo Governo da RAEM”.

Frisando ambos os contextos – problemas e oportunidades – o secretário para a Economia e Finanças definiu os eixos de uma estratégia que seguirá o seu curso; em rigor, percebe-se pelo tom firme e convicto, independentemente de dúvidas ou queixas que surjam nas elites locais: “Reforçar a economia, promover a diversificação, melhorar a qualidade de vida da população e procurar o desenvolvimento”, tendo como prioridades a “diversificação da economia”, o “apoio ao desenvolvimento qualitativo das empresas e dos residentes”, e a “integração na grande conjuntura do desenvolvimento nacional”.

Do outro lado do espelho está a relação com os mercados internacionais, aposta clara, que agora inclui explicitamente o mundo hispânico, para além da Lusofonia. Sente-se a sensibilidade do tema, com vários deputados a insistirem em perguntas sobre a proteção do emprego e dos interesses locais. É um facto, cada vez mais assumido por este Governo, que o destino da diversificação está em Hengqin. Como se vai também desmistificando a ideia de que o turismo pode ser substituído pelas quatro novas indústrias indicadas por Pequim. Na verdade, é sempre 1+4 – e não quatro em vez de um. Ou seja, turismo mais cultura e desporto; turismo + tecnologia; turismo + saúde; turismo + altas finanças.

No fundo, estratégia que indica um foco claro na atração de novos perfis de turistas, novos mercados muito ligados ao MICE e aos negócios – não só regionais, mas também vindos de longe – e multiplicidade de oferta, numa cidade que, assume o Executivo, precisa de ser “mais atrativa”. Não só do ponto de vista lúdico, mas também no seu ambiente de negócios. Como Sam Hou Fai já o tinha feito, Tai Kin Ip assume a necessidade de simplificação de processos e maior capacidade de sedução, como forma de alterar o perfil da receita e a dependência do Jogo. Resumindo: desburocratização do Estado, visão diversas vezes projetada pelo secretário da Economia e Finanças, na senda da expressão usada pelo Chefe do Executivo, quando na semana passada apresentou o relatório das Linhas de Acção Governativa: “Um ambiente amigo dos negócios”.

Revitalização, digitalização e crédito bonificado

Às preocupações dominantes na Assembleia, Tai Kin Ip respondeu sem novidades. Apoio à “digitalização dos negócios”, acesso a “crédito bonificado”, e uma plataforma de oferta de emprego para facilitar a procura são as medidas anunciadas para proteção do nível de vida, tendo o secretário para a Economia e Finanças mencionado “estudos” e presença em “fóruns internacionais”, de forma a “estudar” medidas que estão a ser implementadas em outras partes do mundo.

Por outro lado, aquilo que está a ser feito pela revitalização dos bairros antigos, a cargo das seis concessionárias, passa agora a estar debaixo da tutela da Economia. E vai ser tudo “revisto”, porque “isso também tem a ver com a capacidade de atração turística”, mas também com “as PME e o apoio ao consumo”, rematou Tai Kin Ip. Contudo, insistiu, a estratégia de médio e longo prazo passa mesmo por um novo ambiente de negócios. “A área da Economia e Finanças irá reforçar a cooperação interdepartamental, atrair e captar investimentos junto de diversos mercados, com foco nas indústrias prioritárias, bem como aperfeiçoar os serviços ‘One-Stop’ para investidores e reforçar o nível de desmaterialização dos serviços públicos”. A tentativa de acelerar investimento passa ainda por um fundo que “está a ser estudado”, para a “transformação de resultados científicos e tecnológicos, de modo a incentivar o investimento de capitais na sociedade para suportar conjuntamente o desenvolvimento das indústrias e atrair mais projetos e empresas para Macau”.

Quanto ao local para o parque científico e tecnológico, cujos estudos e planificação Sam Hou Fai prometeu orçamentar já para este ano, “não está ainda escolhido”, garantiu Tai Kin Ip.

Além-fronteiras

A fronteira nacional é mitigada, tendo Tai Kin Ip assumido a continuação das políticas de incentivo ao emprego dos residentes de Macau em Hengqin, como a participação “proativa” na construção da Grande Baía, “aprofundando o intercâmbio e a cooperação com outras províncias e cidades do Interior da China”; elevando ainda “o nível de facilidade na circulação de elementos como quadros qualificados, fundos, mercadorias e informações, entre outros, na Grande Baía”. Mas também fronteiras mais longínquas estão no horizonte: “Para reforçar o apoio no estabelecimento de uma plataforma de abertura ao exterior, de um nível ainda mais alto, empenhar-nos-emos no aprofundamento do intercâmbio internacional, desenvolvendo simultaneamente a captação de investimentos e a expansão para o exterior, atraindo recursos internacionais de excelente qualidade, expandindo para o exterior juntamente com as empresas do Interior da China e alargando as ligações internacionais”.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!