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Moçambique/Eleições: Candidato Manuel de Araújo critica “complexo da colonização” de Portugal

O candidato a governador da província da Zambézia, centro de Moçambique, Manuel de Araújo (Renamo), disse hoje que Portugal deve abandonar o “complexo da colonização” e ajudar a “fortalecer a democracia”, face à alegada “fraude” nas eleições gerais de quarta-feira.

“Portugal deve descalçar o sapato do complexo da colonização, eu sinto que em Portugal há dificuldades, tanto do Governo, como da oposição, de tomar uma posição construtiva para fortalecer a democracia em Moçambique”, afirmou Araújo.

O político, apoiado pela Resistência Nacional Moçambicana (Renamo, principal partido da oposição), fez estas declarações num vídeo a partir de Amesterdão, Países Baixos, onde se encontra no âmbito de uma “missão” pela “Europa e pelas Américas” para denunciar a suposta fraude nas eleições gerais moçambicanas de quarta-feira.

“Muitos do PSD, do PS e também do Chega [partidos em Portugal], e outros, têm um complexo por causa da colonização. Irmãos portugueses, nós já ultrapassamos esse complexo, de Moçambique para Portugal já não há esse complexo, mas de Portugal para Moçambique, existe esse complexo da colonização e da descolonização”, declarou.

Os dois países, prosseguiu, devem dar um passo em frente, para se ultrapassar esse obstáculo.

Manuel de Araújo, que é também autarca da cidade de Quelimane, criticou os “pronunciamentos” de João Cravinho, chefe da Missão de Observação Eleitoral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que, na sexta-feira, disse que a votação do dia 09 decorreu de “forma ordeira e organizada”.

“Fez uma aberração, não quero acreditar que aquele vídeo que circula tenha sido aquilo que o professor Cravinho disse”, afirmou Manuel de Araújo, sem especificar as circunstâncias dos “pronunciamentos” feitos pelo antigo ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal.

Araújo avançou que se encontrou com parlamentares europeus a quem mostrou “evidências” que demonstram que as eleições gerais moçambicanas foram viciadas.

“Já tinha evidências suficientes para poder provar, em qualquer tribunal nacional, regional e continental ou internacional, sobre a existência da fraude eleitoral em Moçambique”, declarou.

“Quero desafiar a todos para que, de peito em frente, olhemos para as eleições e tenhamos a coragem de dizer que o réu vai nu (…). Vamos colocar Moçambique no caminho da democracia”, afirmou.

As eleições gerais de quarta-feira incluíram as sétimas presidenciais – às quais já não concorreu o atual chefe de Estado, Filipe Nyusi, que atingiu o limite constitucional de dois mandatos – em simultâneo com as sétimas legislativas e quartas para assembleias e governadores provinciais.

A publicação dos resultados da eleição presidencial pela Comissão Nacional de Eleições, caso não haja segunda volta, demora até 15 dias, antes de seguirem para validação do Conselho Constitucional, que não tem prazos para proclamar os resultados oficiais após analisar eventuais recursos.

A votação incluiu legislativas (250 deputados) e para assembleias provinciais e respetivos governadores de província, neste caso com 794 mandatos a distribuir.

A CNE aprovou listas de 35 partidos políticos candidatas à Assembleia da República e 14 partidos políticos e grupos de cidadãos eleitores às assembleias provinciais.

*Com LUSA

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