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Fosso de riqueza aumenta

Desde 2007/2008 que o fosso de riqueza entre a população de Macau não era tão grande. O rendimento disponível desceu e o consumo fora da cidade consolidou-se como a terceira maior despesa dos agregados familiares. Estas são algumas das conclusões do Inquérito aos Orçamentos Familiares, entre março de 2023 a março de 2024

Carol Law

Três indicadores revelam que o fosso de riqueza em Macau aumentou face a 2017/2018, regressando aos níveis registados há 16 anos (ver tabela). O índice de Gini varia entre 0 e 1, estando mais próximo do 0 quando a distribuição da riqueza é mais regular. Em 2012/2013, chegou a ser 0.35, refletindo uma redução no fosso de riqueza. No entanto, subiu para 0.357 em 2017/2018 e atingiu 0.387 este ano – valor semelhante ao registado em 2007/2008.

Já os valores do índice de distribuição de rendimento e do coeficiente de Kuznets não constam no último inquérito. O PLATAFORMA calculou-os com base no método utilizado nos inquéritos anteriores, o que dá um valor aproximado de 8.76 e 55.45, respetivamente. Nestes casos, houve uma subida relativamente a 2007/2008 (ver tabela), acentuando uma maior desigualdade nos redimentos dos agregados familiares em Macau.

Apesar dos números, a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos destaca que as medidas de apoio do Governo têm surtido algum efeito na melhoria da distribuição de riqueza. Como prova, mencionam o índice de Gini, que seria ainda maior não fossem os subsídios e apoios do Governo (ver tabela).

É também referido que se os agregados familiares fossem divididos em cinco grupos, de acordo com os seus rendimentos, os rendimentos do quintil mais baixo foi composto em 48,2 por cento por subsídios monetários, subsídios para idosos, vales de saúde, remessas do exterior, entre outros, refletindo que as medidas governamentais têm “um efeito mais significativo no aumento do nível (…) dos agregados familiares com rendimentos mais baixos”.

Rendimento disponível diminui

O rendimento médio mensal disponível das famílias, depois de deduzidas as despesas não consumidas (impostos diretos, contribuições para a segurança social, multas, etc.), foi de 54.143 patacas, o que representa um decréscimo de 2% em 5 anos.

É de referir que, neste inquérito, existiam 10.083 idosos entre os agregados familiares unipessoais – um aumento de 15,7%. Ao mesmo tempo, o número de famílias unipessoais em habitação social (5.809) aumentou em 34%, resultando num decréscimo real de 10,3% no rendimento médio mensal das famílias unipessoais (25.980 patacas). Entre estes, os rendimentos do trabalho (16.155 patacas) registaram um decréscimo de 13,4%, enquanto que os provenientes de transferências monetárias (5.191 patacas) aumentaram 11,9%. O rendimento médio mensal dos agregados familiares com mais elementos subiu, sendo que aqueles com 4 pessoas registaram o maior aumento (9,7%), passando para 80.041 patacas.

O número de famílias com casa própria diminuiu 3,3%, passando de 143.922 (75,2% do total), em 2017/2018, para 146.742 (71,9%), enquanto que o número de famílias em alojamentos arrendados aumentou 3%, passando de 39.253 para 47.891, dos quais 14.327 eram arrendatários de habitação social. O número de inquilinos de habitação social aumentou 13,4% em cinco anos, e de habitação económica aumentou 4,1%.

Consumo no exterior aumenta

O consumo fora de Macau continua a ser a terceira maior despesa entre as famílias, atrás apenas da “habitação e combustíveis” e da “alimentação e bebidas não alcoólicas”. Contudo, a sua proporção tem vindo a aumentar.
O consumo no exterior ultrapassou as despesas em educação pela primeira vez em 2017/2018. Entre 1998/1999, representava apenas 5,3% das despesas; hoje chega a 13,9%, um aumento de 2,3% face a 2017/2018. Nos últimos cinco anos, os gastos fora de Macau passaram de 4.133 patacas para 5.317 patacas (um aumento 21,8% em termos reais).

O inquérito começou a analisar a localização desta despesa em 2002/2003. Nessa altura, o consumo no Continente representava 70,1% do total, seguido por Hong Kong (17%), Europa e Estados Unidos (2,8%).

Segundo o inquérito mais recente, só a província de Guangdong acumula 87,2% do total das despesas, registando-se uma redução significativa noutros países e regiões. As despesas em Hong Kong diminuíram em 71,7% e o montante gasto noutros destinos populares (como Taiwan, Japão, etc.) diminuiu mais de 70%, em termos reais.

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