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“O principal player económico será a China”

Dia 9 de outubro os moçambicanos vão decidir o futuro do seu país, nas eleições presidenciais. Esse futuro, diz quem sabe, continuará ligado mais à China do que aos Países de Língua Portuguesa. “Todos juntos, com Portugal e Brasil no topo dos investimentos, não chegam a metade do investimento da China”, diz Anacleto Simões, professor de economia na Universidade de Maputo

Gonçalo Francisco

Daniel Chapo (Frelimo), Venâncio Mondlane (independente apoiado pelo PODEMOS), Lutero Simango (MDM) e Ossufo Momade (Renamo) são os candidatos que vão a sufrágio, e independentemente de quem ganhar, à sua espera terá uma dívida de 2.45 mil milhões de euros para com a China, o principal parceiro financeiro deste país africano.

A China tem vindo a incrementar o seu peso económico em Moçambique, com um total de 8.5 mil milhões de dólares de investimento direto, atualmente, contra 546 milhões de dólares, por exemplo, há cerca de oito anos. Há dívida, é certo, mas o futuro continua a apontar para Oriente.

“Vença quem vencer, o principal parceiro continuará a ser a China; primeiro porque há uma grande dívida para pagar e depois porque há dinheiro para também continuar a investir em Moçambique. Desde 2016 que há uma parceria estratégica global entre os dois países e há quase vinte anos que o comércio bilateral aumentou de ano para ano. Em 2022 o aumento foi exponencial, na ordem dos 15%, estamos a falar de quase cinco mil milhões de dólares”, começou por dizer Anacleto Simões, professor de economia na Universidade de Maputo.

O principal parceiro continuará a ser a China; primeiro porque há uma grande dívida para pagar e depois porque há dinheiro para também continuar a investir em Moçambique”

A China importa principalmente produtos agrícolas e de mineração primários, como madeira, minério de ferro e seus concentrados, e a preços que ninguém parece capaz de comprar. “São valores que outros não pagam, são muitos milhões. E depois há também muitas empresas [chinesas] que se estabelecem cá, são mais de 100 e empregam quase 20 mil trabalhadores. Quem mais faz isso?”, assinalou, falando depois dos Países de Língua Portuguesa.

“Todos juntos, com Portugal e Brasil no topo dos investimentos, não chegam a metade do investimento da China. Se as empresas de Portugal ou Brasil investem em um ou outro negócio, ou dois ou três, as da China, por exemplo, abrangem negócios como, pesca, petróleo, têxteis, hotelaria, turismo, construção civil, transportes, energia, imobiliário e ainda mais. São muitos milhões, muitos mesmos. Volto a dizer, ganhe quem ganhar, o principal player económico será a China, ninguém tem dúvidas disso. E será um player muito importante no futuro do país. Nyusi vai sair e já o transmitiu”, referiu o catedrático, destacando depois os negócios que a China perspetiva em Moçambique

‘’Querem trabalhar na exploração de recursos naturais e também no gás”, diz, salientando também que a estratégia da China em Moçambique passa também por ampliar os negócios e “encontrar a forma mais fácil e barata de chegar aos grandes mercados na Europa e norte de África’’.

Principais obras chinesas

A obra mais emblemática da China em Moçambique nos últimos anos é a ponte entre Maputo e a Catembe, que foi construída pela empresa China Road & Bridge Corporation (CRBC) e financiada em 725 milhões de dólares pelo Governo chinês.

Todos juntos, com Portugal e Brasil no topo dos investimentos, [os Países de Língua Portuguesa] não chegam a metade do investimento da China”

A China financiou igualmente mais de 70 projetos públicos, sendo de destacar a construção dos aeroportos de Maputo e Xai-Xai, do Centro de Tecnologias Agrárias em Boane, do Estádio Nacional do Zimpeto, de fábricas de agro-processamento em Tete e da linha de transporte de energia entre a Zambézia e Nampula.

Foi também recentemente inaugurado o Centro Cultural Moçambique-China, localizado no campus da Universidade Eduardo Mondlane, na cidade de Maputo, considerada uma das maiores e modernas catedrais das artes e cultura em África, apetrechado com equipamento e tecnologia de padrões internacionais.

Sem sondagens

Não há sondagens para saber quem poderá estar na frente da corrida presidencial, mas em Maputo, pelo menos, há quem se destaque, nomeadamente Daniel Chapo, o candidato da Frelimo, o mesmo de Nyusi.

Maputo está pintada com o vermelho da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder), e do seu candidato presidencial, Daniel Chapo, enquanto a propaganda dos restantes partidos quase não existe

A uma semana das eleições gerais moçambicanas, Maputo está pintada com o vermelho da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder), e do seu candidato presidencial, Daniel Chapo, enquanto a propaganda dos restantes partidos quase não existe.

Numa ronda feita pela Lusa nas ruas da capital, as cores da propaganda eleitoral do único partido que governou Moçambique desde a independência, em 1975, dominam o horizonte das ruas e avenidas. Desde os cartazes mais simples, às bandeirolas, tarjas e enormes ecrãs que destacam Daniel Chapo, escolhido pela Frelimo para tentar suceder aos 10 anos de governação de Filipe Nyusi, o partido ‘do batuque e da maçaroca’ ocupa por completo o cenário de propaganda eleitoral.

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