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O recente grave e anormal aluimento de uma estrada na Zona A dos Novos Aterros

José Pereira Coutinho, Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau

Na manhã de 15 de agosto, começaram a circular nas redes sociais vários vídeos do aluimento de uma estrada na Zona A dos Novos Aterros Urbanos, mais precisamente na Rotunda de Hou Kong e Avenida Doutor Ma Man Kei. Por grande sorte, nenhum dos trabalhadores dos estaleiros ficou ferido e nem naquela altura circulava qualquer camião pesado, betoneira, máquinas de construção ou veículos particulares. Caso contrário, teria sido uma enorme tragédia.

De acordo com notícias publicadas, o fosso teria três metros de profundidade e cerca de nove metros de comprimento, tendo este grande “buraco” surgido sem que as empresas responsáveis e autoridades competentes tivessem conseguido detetar previamente a hipótese deste “anormal e grave” incidente.

A Zona A é uma ilha artificial, cujos terrenos foram conquistados ao mar. Neste momento, está ligada ao terminal da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, onde circulam num trânsito caótico milhares de viaturas de Hong Kong e Macau. Não esqueçamos que, no futuro, estarão nesse local mais de cem mil pessoas num autêntico megapólo de concentração de habitantes, autocarros públicos e de turismo, viaturas particulares e motorizadas, prevendo-se muita confusão e elevado congestionamento no tráfego rodoviário. Muitos cidadãos estão preocupados com este grave aluimento, levantando-se dúvidas quanto à segurança dos prédios habitacionais, bem como dos pavimentos que terão de suportar o elevado trânsito rodoviário.

Segundo as opiniões de alguns engenheiros locais, os pavimentos da Zona A deveriam ser executados com estruturas de múltiplas camadas sobre a superfície final de terraplanagem, para poder resistir aos esforços provenientes do tráfego e alterações das amplitudes térmicas e chuvas, para garantir o conforto e segurança dos que lá vivem, trabalham e circulam. A questão crucial é a qualidade do asfalto nos pavimentos, que depende diretamente de um processo de uso correto dos materiais construtivos, com influência direta na durabilidade e na qualidade do serviço apresentado.

O estado dos terrenos conquistados ao mar nos Aterros da Zona A está relacionado com o tempo suficiente para assentamento dos solos e os estudos aprofundados que deviam ter sido feitos quanto ao seu conhecimento e respetivas características, tais como a granulometria, a compactação e densidade, que são elementos básicos, essenciais e cruciais aquando da projeção da pavimentação e construção dos megaedifícios.

São estas informações que determinam, por exemplo, o tipo de espessuras formadas nas camadas de base, sub-base e sub-leito que compõem um pavimento asfáltico, e que no futuro suportam as pressões provenientes do tráfego.

Em Macau, é normal vermos as estradas e ruas que logo após terem sido pavimentadas aparecerem esburacadas por negligência nos erros de projeção, uso de materiais inadequados de conservação e manutenção, e deficientes processos construtivos. Consoante as opiniões desses engenheiros especialistas na pavimentação de ruas e estradas, o tipo de asfalto que deve ser utilizado, a sua temperatura, o transporte até ao local onde será assentado, a granulometria e grau de compactação, são procedimentos essenciais que favorecem o aparecimento das manifestações patológicas, derivadas de uma pavimentação inadequada ou o uso de materiais de qualidade questionável – como quase sempre acontece em Macau.

As autoridades competentes devem aproveitar este grave e anormal incidente como exemplo, procedendo às devidas investigações por uma entidade independente quanto à probabilidade de voltar a acontecer novos afundamentos de terras na Zona A dos Novos Aterros. É preciso dissipar as preocupações dos futuros habitantes, residentes e dos milhões de visitantes.

Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau(atfpm) 

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