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Autoridades de Macau e Hong Kong lançam investigação conjunta a empresa acusada de fraude

A Comissão Independente Contra a Corrupção (ICAC), a Comissão de Títulos e Futuros (SFC) e a Polícia Judiciária de Macau realizaram uma operação conjunta, denominada "Demarcação", nos dias 19 e 20 de agosto, para investigar suspeitas de fraude transfronteiriça e má conduta envolvendo uma empresa não especificada e cotada na bolsa de Hong Kong.

Nelson Moura

Apesar de o comunicado do ICAC não indicar diretamente o nome da companhia, vários meios de comunicação de Hong Kong estão a apontar o Wai Hung Group como a visada pela investigação, uma companhia especializada em serviços de decoração para casinos, áreas de retalho, hotéis, restaurantes, propriedades comerciais e propriedades residenciais, juntamente com serviços de reparação e manutenção.

Segundo o seu site oficial, a companhia esteve envolvida em vários projetos de reparação e construção de casinos e salas VIP em Macau, incluindo várias companhias de junkets já encerradas, como a Suncity e a Tak Chun.

Conforme as autoridades, altos executivos da empresa cotada estavam supostamente envolvidos em transações fictícias e contabilidade fraudulenta, totalizando cerca de 120 milhões de dólares de Hong Kong. Durante a operação, a ICAC prendeu sete pessoas, incluindo o presidente e um diretor-executivo da empresa.

A investigação revelou que o presidente e outros indivíduos teriam falsificado documentos comerciais e registos de contabilidade das subsidiárias da empresa em Hong Kong e Macau, enquanto as contas a receber comerciais da empresa, totalizando mais de 113 milhões de patacas, foram reduzidas.

Os indivíduos em questão também teriam usado documentos e registos de contabilidade falsos para ocultar o desvio de fundos da empresa de mais de 9 milhões de dólares de Hong Kong.

A operação conjunta demonstra plenamente a estreita colaboração e determinação das agências de aplicação da lei das duas cidades no combate à corrupção transfronteiriça e a outros crimes, a fim de manter um ambiente de negócios limpo e justo e o funcionamento eficaz do mercado financeiro”, afirmou Ricky Yau Shu-chun, Subdiretor-Geral da ICAC e Chefe de Operações.

O Diretor Executivo de Aplicação da Lei da SFC, Christopher Wilson, enfatizou a tolerância zero da agência em relação à má conduta que prejudica a ordem do mercado e a gestão de empresas cotadas. “A ação conjunta demonstra a determinação das agências de aplicação da lei em ambas as jurisdições de combater atividades ilegais transfronteiriças envolvendo empresas cotadas”, afirmou.

Dada a natureza transfronteiriça do caso, a Polícia Judiciária de Macau também lançou uma investigação concorrente sobre os supostos crimes de fraude cometidos em Macau. As autoridades declararam que a investigação está em andamento e que nenhum comentário adicional será feito neste momento.

Esta operação conjunta destaca o compromisso das agências de aplicação da lei de Hong Kong e Macau em colaborar no combate a crimes financeiros transfronteiriços e manter a integridade dos mercados em ambas as regiões.

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