Portugueses de Macau alvo de discriminação no acesso a Hengqin, diz deputado

O deputado José Pereira Coutinho disse ontem que os portugueses residentes na região chinesa de Macau estão a ser alvo de discriminação no acesso à vizinha Hengqin

por Nelson Moura

Numa declaração lida antes do plenário da Assembleia Legislativa, Coutinho disse ter recebido “muitos pedidos de apoio” de portugueses que enfrentam “dificuldades consideráveis devido à incerteza em relação ao acesso fronteiriço”.

Ao contrário dos chineses de Macau, que podem utilizar máquinas automáticas para entrar em Hengqin, os portugueses têm de “apresentar passaportes diariamente, enfrentando longas filas e procedimentos burocráticos”, lamentou o deputado.

Coutinho disse que o problema tem afetado “pequenos e médios empresários, profissionais liberais, estudantes, idosos e deficientes”, dando como exemplo famílias que vivem em Hengqin, “cujos filhos estudam em Macau e cujos pais trabalham diariamente na cidade”.

“Isso não apenas gera inconvenientes diários, mas também questiona a viabilidade de residir na ilha da Montanha”, disse o deputado português. Coutinho disse que há portugueses interessados em adquirir habitações no Novo Bairro de Macau, em Hengqin.

As candidaturas para a venda, apenas a residentes de Macau, de quatro mil apartamentos no novo bairro, situado na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau, em Hengqin, abriram a 28 de novembro.

Apesar de sublinhar que a “iniciativa é louvável”, Coutinho disse que “levanta sérias questões sobre a igualdade e acessibilidade para todos os residentes de Macau, especialmente os portugueses residentes permanentes” na região chinesa.

O deputado pediu ao Governo “medidas imediatas para resolver estas questões, assegurando que todos os residentes de Macau, independentemente da sua nacionalidade, possam usufruir de igualdade de oportunidades e condições de vida” em Hengqin.

Isto porque a empresa pública responsável pelo Novo Bairro “expressou a incapacidade de garantir que essas famílias possam cruzar a fronteira diariamente com a mesma facilidade que outros residentes”, indicou.

A Sociedade de Renovação Urbana de Macau indicou que “essa é uma questão a ser resolvida pelas autoridades competentes”, disse Coutinho.

O deputado pediu ao Governo “medidas imediatas para resolver estas questões, assegurando que todos os residentes de Macau, independentemente da sua nacionalidade, possam usufruir de igualdade de oportunidades e condições de vida” em Hengqin.

行政長官 澳門  賀一誠 Ho Iat Seng Chefe do Executivo Chief Executive of Macau

Em abril, no fim de uma visita a Portugal com 50 empresários locais, o líder do Governo de Macau disse que a comitiva procurou promover a zona de cooperação em Hengqin junto das empresas portuguesas, uma proposta que Ho Iat Seng acrescentou ter sido muito bem aceite Foto GCS

Coutinho propôs a simplificação dos procedimentos burocráticos na passagem da fronteira, nomeadamente aos “empresários e profissionais que entrem em veículos motorizados”.

Em abril, no fim de uma visita a Portugal com 50 empresários locais, o líder do Governo de Macau disse que a comitiva procurou promover a zona de cooperação em Hengqin junto das empresas portuguesas, uma proposta que Ho Iat Seng acrescentou ter sido muito bem aceite.

Em novembro de 2022, Macau anunciou a criação em Hengqin do Centro de Ciência e Tecnologia Sino-Lusófono, em cooperação com a cidade vizinha de Zhuhai.

Plataforma com Lusa

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