Última missão chinesa conseguiu obter as amostras lunares mais jovens até à data

As amostras lunares trazidas para a Terra pela missão chinesa Chang'e-5 são mais jovens do que as obtidas pelas anteriores missões norte-americanas e soviéticas, indica um estudo que envolveu peritos da China e dos Estados Unidos.

por Nelson Moura

O estudo, publicado na revista científica Icarus, analisou o índice de maturidade do solo lunar recolhido pela Chang’e-5 através de técnicas magnéticas, o que permite conhecer os processos de meteorização espacial que ocorreram na superfície da Lua, informou a agência de notícias oficial chinesa Xinhua.

O índice de maturidade do solo lunar é um parâmetro que mede o grau de exposição do solo às condições espaciais, como o bombardeamento de micrometeoritos e o vento solar.

Investigadores da Universidade de Geociências de Wuhan, da China, da Universidade de Brown e da Universidade do Havai, dos EUA, utilizaram técnicas magnéticas para medir o índice de maturidade do solo lunar da Chang’e-5 e descobriram que o valor Is/FeO, situado entre quatro e 20, é um dos mais baixos alguma vez obtidos, indicando que se trata de um dos solos mais jovens da Lua.

O valor Is/FeO é calculado a partir da intensidade de um sinal magnético produzido pelo ferro no solo lunar. O ferro é magnetizado pela ação do vento solar e dos micrometeoritos, e quanto mais tempo o solo lunar estiver exposto, mais forte é o sinal magnético.

“Isto indica que o solo lunar na área de amostragem da missão Chang’e-5 esteve exposto ao ambiente espacial durante um período de tempo relativamente curto após a formação”, disse o professor Xiao Long, da Universidade de Geociências de Wuhan.

A sonda Chang’e 5 regressou à Terra em dezembro de 2020 com quase dois quilogramas de amostras lunares, tornando a China o terceiro país a recolher amostras da Lua, depois dos Estados Unidos e da extinta União Soviética.

A sonda Chang’e 5 regressou à Terra em dezembro de 2020 com quase dois quilogramas de amostras lunares

O programa Chang’e, cujo nome deriva de uma deusa que, de acordo com as lendas chinesas, vive na Lua, começou com o lançamento de uma primeira sonda em 2007.

Nos últimos anos, Pequim investiu fortemente no programa espacial e alcançou marcos importantes, como a aterragem bem-sucedida de uma sonda no lado mais distante da Lua em janeiro de 2019, um feito que nenhum país conseguiu até à data.

Plataforma com Lusa

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