– O que é a FlamAid?
Julieta Rueff – É uma granada passiva que utiliza os seus 100 decibéis de som para dissuadir potenciais predadores, alertando também as autoridades. É um aparelho mais pequeno que uma granada, embora com o mesmo formato, tem dimensões mais pequenas.
– Foi pensada apenas para as mulheres?
J.R. – Foi. O objetivo é que todas as mulheres, por tudo o que se tem falado em termos de abusos, possam chegar a casa em segurança. Há dados que apontam que uma em cada três sofrem violência física ou sexual, eu também passei por isso e lembrei-me de algo que poderia ajudar. É uma forma de assustar quem possa estar a colocar em perigo a vida de uma outra pessoa, neste caso uma mulher um adolescente do sexo feminino. Um jantar fora ou uma saída à noite não pode ser encarada de uma forma assustadora. Queremos ajudar a que uma mulher não pense apenas no perigo quando sai sozinha à noite.
“É uma granada passiva que utiliza os seus 100 decibéis de som para dissuadir potenciais predadores, alertando também as autoridades”
– Quanto custa um aparelho deste género e como pode ser usado?
J.R. – A granda da FlamAid tem o custo de 40 euros e é simples de usar. Tem o desenho exato de uma granada, mas mais pequena e leve. É muito simples de usar, em caso de uma situação incómoda. Basta retirar a cavilha de segurança e ela emitirá um som bastante alto, capaz de se ouvir em dois quarteirões. Além do som, ela também envia uma comunicação para as autoridades e para as pessoas que o cliente escolhe na aplicação. A grande diferença de outros produtos de autodefesa é que esta é visível, ao contrário de outros. Tem uma forma de granada, mas é bastante leve e não pesada, pode colocar-se dentro de uma bolsa ou mesmo no bolso das calças. É feita de silicone e ao contrário do que se possa pensar, o som que emite não irá causar danos à audição, esses só surgem a 130 decibéis ou mais por mais de 10 minutos.
– Têm tido feedback positivo da mesma?
J.R. – Sim, honestamente temos. Muitos perguntam se é fácil de usar, pois pensam logo numa granada. Mas o feedback que temos tido, depois de explicar o funcionamento do mesmo, é que comprariam, sobretudo pais, para que as filhas, mais jovens, possam usar numa saída à noite ou mesmo quando vão para uma simples saída às compras.
Tanto China como Macau é um objetivo, podem ser o passo mais importante a dar, olhando para o
mercado asiático. Estamos disponíveis para chegar a esse lado do mundo”
– Há perspetivas de poder chegar a outros mercados, nomeadamente na Ásia, como China ou Macau?
J.R. – Sem dúvida, pretendo expandir para todo o mundo, penso que é algo único. A Web Summit serviu para mostrar o aparelho a outros mercados. Tanto China como Macau é um objetivo, podem ser o passo mais importante a dar, olhando para o mercado asiático. Estamos disponíveis para chegar a esse lado do mundo. Tivemos alguns contatos e agora vamos ver o que podemos fazer para que as mulheres desse lado do mundo possam sentir-se mais seguras com a nossa FlamAid.
– E qual o passo a dar depois da FlamAid?
J.R. – Sinceramente, algo para as crianças. Pensamos só nos adultos, mas também as crianças estão em perigo no mundo atual. É apenas uma ideia, mas estamos a pensar em algo que possa fazer sentido para que as crianças se sintam seguras, nomeadamente quando estão sozinhas.