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“Acho que este ano vou fazer melhor em Macau”

Nadieh Schoots, piloto neerlandesa que em 2022 se tornou a primeira mulher a participar no Grande Prémio de Motos em Macau, regressa a uma das suas provas “favoritas” para fazer “melhor”. Como mulher num desporto dominado por homens, sente que a “luta por oportunidades” ainda está a ser travada

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– Como ganhou o gosto pelo motociclismo?

– Os meus pais conduzem motos desde os 18 anos. O meu pai sempre gostou de desportos motorizados e costumávamos ver MotoGP e o Campeonato Mundial de Superbikes. Quando havia provas nos Países Baixos, íamos sempre ver. Aos 14 anos, tive a oportunidade de conduzir uma mini-mota. Adorei e o meu pai comprou-me uma feita na China. Depois, comprámos uma da Blata, uma marca checa. Fiz três dias de treinos numa pista coberta de karting. Correu bem e decidimos competir a sério, mas colocaram-me na categoria sénior. Eu pedi para me mudarem de categoria, mas recusaram. A cada três voltas, estava a ser dobrada pelos outros pilotos. A verdade é que não era suficientemente rápida e tinha medo. Apesar disso, adorei. Eventualmente, mudaram-me para uma categoria júnior. A partir daí, comecei a progredir e subi de categoria consecutivamente. Nunca ficava tempo suficiente numa categoria para conseguir vencer.

– Um dia, deu um passo imenso. Passou das mini-motas para a categoria Super Sport.

N.S. – Testei uma Aprilia de estrada de 250cc. A primeira vez que pilotei uma mota com mudanças manuais e suspensão. Fui a segunda mais rápida, entre mulheres e homens. Pensámos que talvez estivesse preparada para as 600 cc, porque muitos daqueles pilotos já conduziam Super Sport e eu era mais rápida que eles.

– As despesas eram pagas pela família?

N.S. – Durante algum tempo, nem sequer tentei encontrar apoios financeiros, porque não corria e o meu pai foi o meu principal apoio financeiro, com a exceção de alguns pequenos patrocinadores. Se tudo correr bem, no próximo ano, as coisas serão diferentes.

– O que é ser mulher no mundo do desporto motorizado?

N.S. – Está, lentamente, a melhorar. Quando comecei a correr em Super Sport, era tão rápida quanto os pilotos homens do meu país quando começaram. Fomos falar com equipas e todas me recusaram, porque a última vez que tinham aceite uma mulher como piloto, não tinham tido bons resultados. Quando me tento inscrever em certas corridas, dizem-me para me inscrever numa categoria inferior à de superbikes. Esse ainda é o contexto em que são tratadas as mulheres no desporto motorizado e essa luta por oportunidades ainda existe. Vences a tua primeira corrida e és campeã mundial logo na tua primeira época, ou não prestas. E tens de manter o nível. Isto não acontece com os homens. Percebo quando as mulheres desistem por causa dessa atitude. Eu aguento a pressão, mas um dia pode afetar-me também.

– Sente um tratamento diferente dos seus colegas de equipa e outros pilotos?

N.S. – Nas corridas de estrada, todos se respeitam mutuamente e ninguém quer saber se és homem ou mulher. Em corridas de circuito, houve pilotos que terminaram atrás de mim e nunca mais me falaram.

– Então, prefere corridas de estrada?

N.S. – Adoro corridas de estrada e, em 2013, decidi que era isso que queria fazer. Comecei a correr TT em 2017, mas antes fiz o Campeonato Britânico de Superbikes, para ganhar experiência. Gosto mais de corridas de estrada, pela atmosfera e pelo teste aos meus limites.

– Qual é a sua corrida favorita?

N.S. – As favoritas são Macau e Horice, na República Checa. Corro em Horice como se estivesse em casa. É das pistas mais perigosas no calendário IRC. É muito técnica e parecida com Macau. Quanto à Ilha de Man, trabalho nisso há 10 anos. Estou a aprender o traçado e espero competir lá em 2024.

– Segunda presença em Macau. Qual é o objetivo? Vem com uma equipa diferente.

N.S. – Este ano venho com a Basomba Racing, do Ramon Basomba, um piloto espanhol com vasta experiência em TT. Fizemos 3 corridas de resistência com a R1 e é uma equipa fantástica. Planeio fazer as 24 Horas de Catalunha e entrar no Mundial de Resistência. Se for com esta equipa, tanto melhor.

Em 2016, aprendi que o importante é um bom ambiente e bons mecânicos. O resto não importa tanto.

Acho que este ano vou fazer melhor em Macau. No ano passado, a minha vinda foi decidida à última hora, porque eu não corria há 3 meses. Estou habituada a correr com estes pilotos na Europa. Encaro isso como uma oportunidade de aprender com eles.

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