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Percentagem de resultados não jogo de concessionárias maior que em 2019

A percentagem dos resultados gerados por elementos não jogo das seis concessionárias aumentou cerca de 5 a 6 por cento entre o último ano período pré-pandemia e 2023. No entanto, muito desse aumento se deve a uma quebra generalizada das receitas de jogo

Nelson Moura

Aumentar as receitas não jogo na indústria local foi um dos objetivos delineados pelas autoridades da RAEM na renovação das concessões. De acordo com alguns analistas, os resultados não jogo representam atualmente entre 2 a 20 por cento dos resultados totais de cada operadora de jogo.

No entanto, as autoridades de Macau gostariam que essa percentagem se aproximasse dos números de Las Vegas, onde essa fatia já ronda os 60 por cento. Para atingir esse objetivo, como parte das novas concessões até 2033, as operadoras foram obrigadas a fornecer planos de investimento na estrutura não jogo. No total, as empresas de jogo comprometeram-se a gastar um total de 108.7 mil milhões de patacas em atividades não relacionadas com o jogo e na exploração de mercados turísticos estrangeiros.

O valor representa mais de 91 por cento do investimento total prometido nas novas concessões.
As concessionárias serão também obrigadas a aumentar o investimento não relacionado com o jogo em cerca de 20 por cento caso a receita bruta anual do jogo de Macau ultrapasse 180 mil milhões de patacas até 2027. O Governo de Macau acredita agora que esse valor possa ser alcançado ainda este ano, já que até agosto os resultados brutos das apostas chegaram às 114 mil milhões de patacas.

Sands no topo

No que toca à percentagem dos resultados não jogo e totais, o grupo Sands China liderava em 2019 e continuou no topo em 2023.

Calcular as receitas não jogo das seis concessionárias não é fácil, pois os relatórios apresentam várias diferenças (ver caixa). Do que foi apurado, contudo, é possível realçar algumas informações pertinentes. Todas as operadoras registaram um aumento da proporção de receitas não jogo. Mas esse aumento deve-se à redução das receitas de jogo, e não propriamente do sucesso no desenvolvimento de receitas extraordinárias.

A Sands China e a Wynn Macau, por exemplo, reportaram uma queda entre 2019 e 2023, tanto dos seus resultados de jogo como de não jogo. A notável exceção é a MGM China, a única operadora a apresentar resultados de jogo e não jogo superiores ao período pré-pandemia.

No que toca à percentagem dos resultados não jogo e totais, o grupo Sands China liderava em 2019 e continuou no topo em 2023. Porém, as receitas não jogo desceram: de cerca 440 milhões de dólares americanos, em 2019, para cerca de 428 milhões de dólares, em 2023. No segundo trimestre de 2019 os resultados não jogo da Sands representavam cerca de 20,5 por cento dos 2.1 mil milhões de dólares americanos em resultados totais do grupo fundado por Sheldon Adelson.

Percentagem que cresceu para cerca de 26 por cento no mesmo período de 2023, mas de um total agora mais reduzido de 1.6 mil milhões de dólares americanos.

Em segundo fica a Galaxy, que viu a sua percentagem de resultados não jogo crescer de 15,4 por cento, entre abril e junho de 2019, para 23,8 por cento, em 2023. No caso da Galaxy, houve mais receitas não jogo em 2023 (264.3 milhões de dólares) do que em 2019 (259.1 milhões de dólares).

A fechar o pódio temos a Melco Resorts & Entertainment – liderada por Lawrence Ho Yau Feng, filho do falecido magnata do jogo, Stanley Ho – que expandiu a sua componente de resultados não jogo de 12 por cento para 18,8 por cento em quatro anos.

De seguida temos a Wynn Macau, com um aumento de 14 para 21 por cento, devido a uma quebra dos resultados totais de 769 milhões de dólares, em 2019, para 301.6 milhões em 2023.

A MGM China viu os seus resultados operacionais totais aumentar de 706.1 milhões de dólares para 741 milhões de dólares. A MGM é, aliás, a única operadora que melhorou os resultados totais face a 2019. Infelizmente, a operadora ligada à empresária Pansy Ho não discriminou os resultados não jogo em 2019. Contudo, segundo o seu relatório financeiro mais recente, registou cerca de 71.3 milhões de dólares através do segmento não jogo, ou seja, aproximadamente 9,6 por cento do total.

A SJM Holdings não publica o total do segundo trimestre de 2023, apenas os resultados do primeiro semestre do ano, o que obrigou a calcular os resultados por subtração.

No segundo trimestre de 2019, o setor não jogo representava apenas 2 por cento dos 1.07 mil milhões de dólares americanos reportados pela operadora ligada à histórica STDM, uma percentagem que aumentou para 7 por cento em 2023. No entanto, entre abril e junho, a operadora registou 684.6 milhões de dólares americanos, o valor mais reduzido das seis concessionárias.

Regresso à boa saúde

Depois de meses e meses de “agonia”, as seis concessionárias de jogo parecem ter também finalmente ancorado em porto seguro, com sucessivos resultados trimestrais a mostrar um regresso aos lucros operacionais. Com a abertura das fronteiras e a recuperação dos fluxos normais de visitantes durante as épocas altas da semana dourada do Dia do Trabalhador e das férias de verão, em agosto, o futuro das operadoras parece também ser mais dourado.

Usando a métrica EBITDA ou LAJIDA – lucro antes de juros, impostos depreciação e amortização – o ‘vencedor’ no segundo trimestre – como há quatro anos – continua a ser a Sands China, com cerca de 540 milhões de dólares americanos de lucro. Isto depois de acabar 2019 com 765 milhões de dólares americanos em resultados operacionais positivos.

Em segundo, temos a Galaxy com 324 milhões de dólares americanos em LAJIDA entre abril e junho de 2023, depois de 549 milhões em lucros no mesmo trimestre de 2019. A Melco Resorts & Entertainment fica outra vez em terceiro com 213 milhões de dólares americanos em LAJIDA este ano, depois de registar 442 milhões há quatro anos.

A concessionária americana, Wynn Macau, estava em quarto lugar no segundo trimestre deste ano, com 246 milhões, sendo que reportou 343 milhões em 2019. Apesar de um quinto lugar neste ranking, com 224 milhões, a MGM China foi a única operadora a reportar resultados operacionais superiores ao segundo trimestre de 2019 (187 milhões de dólares americanos). Em último encontra-se a SJM Resorts, com um LAJIDA de 55 milhões de dólares americanos, menos de metade dos 128 milhões registados em 2019.

Os resultados operacionais reportados pelas seis concessionárias neste segundo trimestre representam percentagens diferentes dos valores registados no mesmo período em 2019. De acordo com os respetivos relatórios financeiros, as percentagens de LAJIDA em 2023 face a 2019 são: MGM China (119 por cento), Wynn Macau (71 por cento), Sands Macau (70 por cento), Galaxy (60 por cento), Melco (59.3 por cento), e SJM (42.6 por cento).

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