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Polícia brasileira realiza operação contra criminosos que planeavam assassinar autoridades

A Polícia Federal realizou nesta quarta-feira (22) uma operação para desmantelar uma organização criminosa que pretendia atacar e assassinar autoridades em cinco estados do país, entre elas o senador Sergio Moro, anunciou a força de segurança.

“O objetivo é desarticular uma organização criminosa que pretendia realizar ataques contra servidores públicos e autoridades, incluindo homicídios e extorsão mediante sequestro”, explicou a força em nota.

Moro era um dos principais alvos dos criminosos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), confirmaram fontes da Polícia Federal à AFP.

O ministro da Justiça, Flávio Dino, disse que, além de Moro, havia policiais entre os possíveis alvos do “plano de homicídios” e que o “trabalho sério da PF salvou a vida, graças a Deus, de Sergio Moro”.

Da tribuna do Senado, Moro associou o plano de ataque, do qual seria vítima, a uma “retaliação” do PCC, uma das organizações criminosas mais poderosas da América Latina.

Em 2019, quando era ministro da Justiça do ex-presidente Jair Bolsonaro, Moro autorizou a transferência de Marcos Willian Herbas “Marcola” – chefe do PCC – e outros 21 membros da organização criminosa para presídios de segurança máxima.

Leia ainda: Moro tenta afastar-se de Bolsonaro e diz que Lula cria condições para crises de corrupção

“Minha avaliação contra o crime organizado é que ou nós enfrentamos, ou quem vai pagar não vão ser só as autoridades, mas a sociedade. Nós não podemos nos render”, afirmou.

Até o momento, a Polícia Federal cumpriu 9 de 11 mandados de prisão e realiza 24 mandados de busca e apreensão na capital e nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Paraná, de onde Moro é oriundo.

A PF acrescentou na nota que “os ataques poderiam ocorrer de forma simultânea, e os principais investigados se encontravam nos estados de São Paulo e Paraná”.

“Ação política”

A operação policial foi alvo de comentários políticos, em meio ao clima de polarização no país desde as eleições presidenciais de outubro.

O ex-presidente Jair Bolsonaro, derrotado nas urnas por Lula, vinculou o plano contra Moro à “esquerda”, sem apresentar provas.

“Em 2002 Celso Daniel, em 2018 Jair Bolsonaro e agora Sergio Moro. Tudo não pode ser só coincidência”, tuitou Bolsonaro, referindo-se ao ex-prefeito de Santo André assassinado e ao atentado em que foi alvo de uma facada no estômago quando era candidato à presidência.

“O poder absoluto a qualquer preço sempre foi o objetivo da esquerda”, acrescentou Bolsonaro, que está nos Estados Unidos.

Os críticos de Lula também lembraram de declarações dadas na terça-feira pelo presidente.

Em entrevista ao site Brasil247, Lula contou que, quando estava na prisão, dizia querer “foder” Moro, juiz responsável por condená-lo por corrupção em 2017 por envolvimento no pagamento de propinas de construtoras a políticos em troca de contratos com a Petrobras.

“É repugnante a atuação política desta extrema direita desvairada, aloprada”, reagiu Flávio Dino, criticando “pessoas irresponsáveis que, para tentar escapar de suas próprias responsabilidades, tentam, infelizmente, levar o debate político brasileiro ao nível da lama”.

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