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Fim da paralisia

Guilherme Rego*
Guilherme Rego

Seria fácil, na sombra da pandemia, justificar um arrastamento da paralisia de Macau em 2023. Para concretizar a agenda dos próximos dez anos, a viragem é grande. E o discurso generalizado de que o primeiro ano seria apenas de reajuste à nova realidade, de certa forma retirava a pressão dos resultados no curto prazo.

Até porque, tal como no início da pandemia, ainda são muitas as incertezas que pairam sobre o novo capítulo de reabertura. É com ânimo que não se testemunha essa imobilidade perante os desafios e se tem agilizado a resolução dos problemas colocados à RAEM.

O primeiro teste de Macau, no Ano Novo Chinês, foi passado com nota alta. O número de turistas foi maior do que o esperado, provando a capacidade das autoridades em dinamizar a economia local. Com o regresso dos turistas, as pequenas e médias empresas ganham novo ímpeto, e a indústria do jogo registou os melhores resultados desde o início da pandemia. A viagem de Ho Iat Seng a Portugal é também sinal de uma mudança de perfil na relação bilateral.

Por um lado, a delegação que se junta ao Chefe do Executivo planeia começar desde já a converter a imagem de Macau, afastando-se da marca do jogo.

Por outro, espera captar investimento lusófono. Durante a pandemia acelerou-se a integração regional de Macau, que é cada vez mais uma porta de investimento para a Grande Baía. Em suma, a ponte sinolusófona ganha nova escala. Nas concessionárias multiplicam-se os contratos com empresas do exterior, visando a diversificação de mercados além da China. Aqui, espera-se que a indústria MICE reafirme o estatuto internacional da cidade.

A competitividade deve existir, mas é importante preservar agendas em comum. É imperativo que haja uma mensagem para o exterior que reforce a atratividade de Macau.

E todos apresentam valências diferentes nesta matéria, pelo que o conceito win-win aplica-se. Para tal, tem de haver maior cooperação entre as partes, não sendo descabido excluir a hipótese de um think thank público-privado, que garanta nos próximos dez anos a diversificação que não foi cumprida nos últimos vinte. Sopram novos ventos que levantam o nevoeiro pandémico, e Macau prepara-se para novos voos.

O caminho é claro, mas rochoso. As infraestruturas são ainda deficientes, nomeadamente o aeroporto, que peca pela dependência de terceiros.

Já a nível doméstico, há também o problema das multidões, que dificultam um turismo de qualidade e a vida aos residentes. Depois, faltam recursos humanos, como se sabe, em todos os eixos da recuperação. E o senso comum diz que o talento local não será suficiente para colmatar as lacunas expostas pela pandemia. Espera-se que o Governo tenha essa consciência e responda perante as necessidades denunciadas pela indústria do turismo.

*Diretor-Executivo do PLATAFORMA

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