“A China é parceiro-chave na industrialização da ciência e tecnologia brasileira”

por Mei Mei Wong

A 2 de janeiro deste ano, Luciana Santos tomou posse como ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação do governo de Luís Inácio Lula da Silva. É a primeira mulher a chefiar o ministério e salienta a cooperação entre as duas nações neste ramo.

O Brasil e a China aprofundaram o relacionamento nesta área durante quatro décadas, desde o estabelecimento das relações diplomáticas em 1974. Contudo, há ainda espaço para ampliar a cooperação científica e tecnológica entre ambos os países, segundo a recém-empossada ministra Luciana Santos.

Numa entrevista exclusiva à Xinhua, a tutelar da pasta minestral avaliou a parceira sino-brasileira no setor, referindo que a China é um parceiro chave na industrialização da ciência e tecnologia brasileira e a troca de experiências será fundamental nesse processo.

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“Precisamos de avaliar a viabilidade de se formar um grupo de trabalho bilateral específico sobre este tema, agregando outras pastas do governo brasileiro envolvidas na industrialização. Por exemplo, criar um fórum para a troca de intercâmbio em políticas públicas para inovação, incentivos fiscais, compras públicas e encomendas tecnológicas”.

Sobre os quarenta anos de assinatura do Acordo de Cooperação Científica e Tecnológica China-Brasil, a ministra salienta os “bons resultados, como os satélites da série CBERS, o Centro Brasil-China de Inovação em Nanotecnologia, cooperação na área de energia e clima e na área do bambu, em matemática e na parte de empreendedorismo inovador”.

Como reação às medidas do governo dos EUA, de impor um bloqueio tecnológico à China e de criticar a relação que o país asiático está a construir com outros países, a ministra elogia as relações de cooperação científica e tecnológica do Brasil como sendo “sempre com parceiros diversos”.

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O governo brasileiro pretende continuar e fortalecer esta cooperação, não só devido à história entre as duas potências, mas também porque a “China é um player global com problemas semelhantes, cujas soluções passam pela produção do conhecimento e pelo desenvolvimento de produtos e processos inovadores”.

A ministra lembra ainda que Brasil e China têm um histórico de cooperação na área de mudança climática bastante relevante, através do Centro Brasil-China de Mudança Climática e Tecnologias Inovadoras para Energia, liderado pela UFRJ no Brasil, com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e pela Universidade Tsinghua, na China.

“Pretendemos avançar ainda mais com este centro e estimular outras iniciativas noutras áreas estratégicas. São campos em que a CT&I tem contribuições fundamentais para melhorar a qualidade de vida do povo brasileiro e do povo chinês. A preservação ambiental deve contar com a participação das comunidades locais, promovendo conhecimento e desenvolvimento de tecnologias e, assim, contribuir para a criação de uma geração de emprego e renda, além do uso dos recursos naturais de forma responsável e sustentável”.

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Por fim, Luciana Santos relembra ainda “alguns programas importantes” do seu ministério, que englobam “incentivo à inovação, direcionados a empresas, como a Lei do Bem e a Lei da Informática”.

“Tais incentivos são direcionados a empresas nacionais, que podem ter origem chinesa. Além disso, há chamadas públicas para inovação que envolvem apoio a empresas, como as chamadas da FINEP e da Embrapii”, sublinha.

*Com Xinhua

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