Preços em Cabo Verde aumentaram 7,6% em 2022 - Plataforma Media

Preços em Cabo Verde aumentaram 7,6% em 2022

Os preços em Cabo Verde estagnaram no mês de dezembro, face a novembro, mas acumularam uma subida de 7,6% no ano de 2022, indicam dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE) cabo-verdiano.

Preços em Cabo Verde aumentaram 7,6% em 2022

De acordo com o mais recente Índice de Preços no Consumidor (IPC), elaborado pelo INE, esta variação mensal nula (0%) em dezembro segue-se a meses consecutivos de subidas.

“A taxa de variação homóloga do IPC total, no mês de dezembro de 2022, foi de 7,6%, desacelerando 0,4 pontos percentuais em relação ao mês anterior”, lê-se no relatório do INE.

A taxa de variação acumulada do IPC foi também de 7,6%, superior em 2,2 pontos percentuais à observada no mês homólogo do ano anterior.

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Cabo Verde registou assim, segundo o mesmo índice, uma variação média, nos últimos 12 meses, de 7,9%, valor superior em 0,1 pontos percentuais face a novembro.

O Governo previa que a escalada de preços em Cabo Verde deveria fechar 2022 com um aumento médio global de quase 8%, reduzindo-se para menos de metade este ano.

Nos documentos de suporte à proposta de lei do Orçamento do Estado para 2023, o Governo cabo-verdiano admite que “os níveis de preços deverão permanecer elevados, acelerando de 1,9% em 2021 para 7,9% em 2022”, o valor mais alto em 25 anos.

“Já para 2023, espera-se que reduza para 4% [3,7%, segundo o detalhe da proposta], refletindo a redução da inflação importada dos principais parceiros comerciais de Cabo Verde”, lê-se no documento.

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Acrescenta que as classes de bens e serviços “com mais intensidade no crescimento dos preços” em 2022 são os produtos alimentares e as bebidas não alcoólicas, “sendo um risco para a segurança alimentar, sobretudo para as famílias de menor rendimento”, bem como a habitação, a água, a eletricidade, o gás e os outros combustíveis e os transportes, “derivado sobretudo dos efeitos da inflação importada”.

“Nesta senda, o poder de compra dos agentes económicos, sobretudo dos mais vulneráveis, será altamente afetado, o que pode exigir uma maior intervenção do Estado para garantir o equilíbrio social”, admite o Governo, na proposta orçamental para 2023.

Antes dos efeitos da crise inflacionista atual e apesar da pandemia de covid-19, Cabo Verde registou uma taxa de inflação mínima histórica de 0,6% em 2020, e de 0,8% em 2017.

Na proposta do Orçamento do Estado de Cabo Verde para 2023 está prevista uma atualização do salário mínimo nacional, que passará de 13.000 para 14.000 escudos (117 para 126 euros) em 2023 e aumentos salariais de 1 a 3,5% para funcionários públicos e pensionistas com rendimentos mais baixos.

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De acordo com o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, os salários na função pública e as pensões dos pensionistas do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) de 15.000 a 33.000 escudos (135 a 296 euros) mensais vão aumentar 3,5% em 2023, acima de 33.000 escudos e até 51.000 escudos (296 a 458 euros) vão aumentar 2% e de 51.000 escudos até 69.000 escudos (458 a 619 euros) vão subir 1%.

“Devemos proteger nesta fase os rendimentos mais baixos de forma direta e os rendimentos mais altos são protegidos de forma indireta através das medidas que estamos a tomar para travar a subida galopante dos preços”, esclareceu.

O arquipélago recupera de uma profunda crise económica e financeira, decorrente da forte quebra na procura turística — setor que garante 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do arquipélago — desde março de 2020, devido à pandemia de covid-19.

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