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São Tomé e Príncipe com inflação histórica acima dos 24% em 2022

Lusa

A taxa de inflação de São Tomé e Príncipe em 2022 deverá situar-se em 24%, a mais alta em 15 anos, e a economia nacional deverá crescer abaixo de 1%, antecipou o governador do banco central, Américo Ramos.

O governador do Banco Central de São Tomé e Príncipe (BCSTP) afirmou que o “ano 2022 é, sem dúvidas, um ano marcante para a economia são-tomense”, realçando que “sentiu-se severamente os efeitos económicos da crise pandémica”, das alterações climáticas e da guerra na Europa.

“Como resultados dessa sobreposição de crises, aliada a fragilidades económicas, financeiras e sociais do país, a economia nacional deverá crescer abaixo de 1% e a inflação situar-se em patamares superiores a 24%, valor não verificado desde 2008”, disse Américo Ramos numa comunicação feita no último dia do ano 2022.

O governador do banco central, que assumiu as funções em 03 de dezembro do ano passado, sublinhou que o défice comercial de São Tomé e Príncipe “atingiu cerca de 135 milhões de dólares em 2022”, quase o valor do Orçamento Geral do Estado aprovado neste ano, avaliado em 158 milhões de euros.

Américo Ramos disse ainda que as reservas externas “encontram-se em mínimo histórico, incapaz de garantir a cobertura cambial para a importação de bens e serviços de primeira necessidade”, acrescentou.

No entanto, revelou que o país recebeu na sexta-feira “um donativo de Portugal no montante de 15 milhões de euros para o apoio direto ao Orçamento Geral do Estado, permitindo ao país um quadro de reservas menos degradado e, por conseguinte, facilitar a gestão dessa crise sem precedentes”.

Segundo o governador do banco central, o contexto internacional marcado pelo aumento do preço dos transportes, petróleo e bem alimentares no mercado internacional “afetaram negativamente o desempenho económico à escala global” e contribuíram “sobremaneira para este desfortúnio que afeta o país atualmente”.

“No entanto, o também ex-ministro das Finanças (2014-2018) destacou a responsabilidade dos dirigentes são-tomenses na implementação de “reformas estruturais essenciais no setor produtivo, incluindo o energético”, que têm sido proteladas nos últimos anos e que “custaram em 2022 um incremento de mais de 13 pontos percentuais na inflação”.

“São Tomé e Príncipe enfrenta hoje um problema cíclico de crescimento económico baixo, inflação alta e baixo nível de reservas externas”, sublinhou.

O governador do banco central disse que o Governo são-tomense, enquanto maior empregador do país, “consome parte substancial do crédito disponibilizado para a economia, debilitando o setor privado, que neste momento é incapaz de liderar o processo de transformação da economia com o foco na criação de riqueza.

“Como resultado, a economia nacional entrou numa espiral de desaceleração, sendo claro que urge implementar reformas para que São Tomé e Príncipe ganhe a autodeterminação económica e projete um ciclo de crescimento económico médio superior a 5%, nível necessário para garantir a prosperidade das famílias e empresas são-tomenses”, defendeu Américo Ramos.

Para melhorar o sistema económico e financeiro do país, o banco central “compromete-se em dar continuidade às necessárias reformas” para garantir “a manutenção da âncora cambial e a estabilidade de preço” e tornar o “sistema financeiro mais resiliente”.

Américo Ramos adiantou que a nova administração do banco central “aumentou as taxas diretoras, os coeficientes de reservas mínimas de caixa e emitiu certificados de depósitos com o propósito de conter os efeitos negativos que a evolução desses indicadores representa”, assegurando que as medidas se manterão “até que se atinja a estabilidade nominal”.

O responsável defendeu ainda o alinhamento entre o Governo, o banco central e os parceiros bilaterais e multilaterais para se implementar “reformas transformadoras”, incluindo “a reforma do sistema financeiro nacional”.

“Iremos promover a necessária reforma legal e regulamentar, a contínua modernização do sistema de pagamento, o incremento e facilitação de digitalização e, sem sombra de dúvidas, entre as prioridades, o fomento da inclusão financeira”, adiantou o governado do banco central.

Américo Ramos adiantou que “as primeiras projeções para 2023 sugerem uma retoma económica com o PIB [Produto Interno Bruto] a crescer 1,6% e a inflação a abrandar para 13,3%”, sendo que “esses valores poderão ser revistos mediante a nova estratégia de financiamento a ser implementada pelo novo Governo”.

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