Beijing Capital Airlines confiante na retoma de voos suspensos - Plataforma Media

Beijing Capital Airlines confiante na retoma de voos suspensos

A pandemia trouxe grandes desafios à Beijing Capital Airlines – a única companhia aérea a operar uma linha direta entre Portugal e China -, mas a empresa está confiante que com a reabertura do país poderá retomar as suas rotas entre Lisboa, Pequim e Xi’an, indica a diretora-geral da companhia em Portugal

Foi em julho de 2017 que a Beijing Capital Airlines inaugurou a sua primeira ligação aérea direta entre a China e Portugal, um voo com uma duração 13 horas entre Lisboa e Pequim, com três partidas semanais, complementada por uma ligação a Hangzhou, no leste do país.

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De uma só vez, Portugal passava a ter ligação à capital chinesa e à capital da província de Zhejiang, uma das mais prósperas da China e um dos seus mais importantes centros tecnológicos.

Boa parte da comunidade chinesa radicada em Portugal é também oriunda desta província, bem como muitos dos chineses que vivem noutros países da Europa.

A companhia transportou mais de 80 mil passageiros logo no primeiro ano, com a ligação na altura a ser reconhecida como um passo importante na iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, promovida pelo Presidente chinês.

“Lisboa-Xi’an foi uma grande rota para o turismo, pois permitiu desenvolver um mercado ainda bastante jovem, o turismo português para a China, bem como o turismo chinês para Portugal. Ao mesmo tempo, permitiu-nos também fortalecer a Rota da Seda entre os dois países. Nesse sentido, achamos que o nosso percurso foi muito bem-sucedido,” sublinha a diretora-geral da companhia em Portugal, Coral Chen.

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Em 2017, o número de turistas chineses a visitar Portugal tinha aumentado por 40,7 por cento, para 74.268, comparado com o ano anterior, e as autoridades turísticas portuguesas previam um aumento exponencial desse número nos próximos anos. Dois anos depois, em 2019, a companhia substituía esse ligação por uma rota Lisboa-Xi’an-Pequim, numa tentativa de aumentar fluxos turísticos para uma das capitais históricas do país, conhecida pelo seu Exército de Terracota.

Nesse ano, o voo foi também assinalado como uma celebração dos 70 anos do estabelecimento da República Popular da China, e dos 40 anos de relações entre os dois países.

No entanto, a rota seria depois suspensa por repetidas vezes durante a pandemia, com os voos para a China sujeitos a uma política de “circuit breaker” (‘interruptor’, em português), em que ligações poderiam ser suspensas entre duas semanas a um mês, dependendo do número de casos detetados num voo.

VOO ATRIBULADO

Estabelecida em 2010, e Capital Airlines é uma companhia aérea chinesa low-cost com sede no Aeroporto Internacional
Daxing de Pequim, e uma subsidiária da Hainan Airlines, parte do grupo chinês HNA, uma das maiores companhias aéreas do país.

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Quando a primeira ligação da Capital Airlines foi estabelecida, a HNA era acionista da TAP, através do consórcio Atlantic Gateway e da companhia brasileira Azul. Após a falência da sua anterior proprietária, a Hainan Airlines foi colocada no início de dezembro de 2021 sob a administração de um novo investidor, a Liaoning Fangda Group Industrial.

A Hainan Airlines apontou que o aumento dos custos de combustível, tensões geopolíticas, e a imprevisibilidade das políticas de prevenção pandémica no país foram os seus maiores desafios em 2022. Nos primeiros nove meses do ano, a Hainan Airlines reportou perdas de 20.8 mil milhões de yuans em comparação com os 3.4 mil milhões no mesmo período do ano anterior.

Em setembro deste ano a rota seria retomada, mas só entre Lisboa e Hangzhou, com dois voos semanais por enquanto.

“O voo sai às sextas-feiras de Hangzhou e aos sábados de Lisboa. No futuro, dependendo do mercado, esperamos aumentar a frequência”, indica Chan ao PLATAFORMA.

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“A pandemia trouxe-nos muitos novos desafios e tivemos de nos adaptar. Esperamos que a nossa nova rota entre Lisboa e Hangzhou seja tão ou mais bem-sucedida”.

De acordo com a diretora-geral da Capital Airlines, o preço de um bilhete para um voo de Lisboa para Hangzhou na época baixa ronda os 1.900 a 2.200 euros, chegando até aos 3.000 euros na época alta.

“De Hangzhou a Lisboa o preço varia entre cerca de 950 euros na época baixa, até 1.300 euros na época alta. No entanto, o mercado está sempre a mudar, com os preços a flutuar conforme o mercado,” nota.

REABERTURA DOS CÉUS

Em novembro deste ano, as autoridades chineses cancelaram o sistema de suspensão de voos de entrada no país, um de muitos sinais de uma esperada reabertura gradual do país ao mundo exterior, passados quase três anos de apertadas medidas de prevenção.

“Os regulamentos foram alterados [em novembro], veremos como afetarão o mercado, mas esperamos que possamos operar de maneira estável e constante nos próximos meses”.

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Questionada se a companhia aérea chinesa planeia adicionar novas rotas entre os dois países, Chen responde que a Bejing Capital Airlines continua focada na sua única rota atual, mas que irá “avaliar a possibilidade de aumentar a frequência” da ligação Lisboa-Hangzhou e analisar a retoma das anteriores rotas com Pequim e Xi’an.

“Muitas das nossas rotas internacionais foram suspensas durante a pandemia, então primeiro vamos estabilizar o nosso voo Hangzhou-Lisboa, e depois talvez avaliar a reabertura das nossas outras rotas suspensas há já muito tempo,” diz Chen ao PLATAFORMA.

“Temos também uma grande parceria com a TAP, pelo que os passageiros podem sempre adquirir bilhetes de ligação entre Lisboa e todos os destinos da TAP”.

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