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Crise económica agrava acesso a tratamentos de fertilidade

A infertilidade atinge 15 a 20% dos casais em todo o mundo, cerca de 300 mil em Portugal

A atual situação económica agravou a incapacidade financeira de que “muitas mulheres e casais” já sofriam para aceder a tratamentos de infertilidade, sendo obrigados a desistir do sonho de ter um filho, alertou esta segunda-feira, 7 de novembro, a Associação Portuguesa de Fertilidade.

“A questão torna-se dramática” quando se trata de mulheres que já ultrapassaram a idade limite de acesso a tratamentos no Serviço Nacional de Saúde, os 40 ou 42 anos, consoante as técnicas, disse a diretora executiva da APFertilidade, Joana Freire, numa resposta escrita à agência Lusa a propósito da Semana Europeia da Fertilidade, iniciada hoje.

Joana Freire lembrou que a pandemia já tinha tido um efeito igualmente negativo na vida destas pessoas, agora agravado com a crise económica.

“Nem todos podem contar com o apoio financeiro da família ou amigos ou contrair empréstimos para tentarem concretizar o sonho de ter filhos. Os tratamentos no privado podem chegar a vários milhares de euros e estas mulheres e homens têm que lidar com o fim de um caminho que iniciaram, muitas vezes, há vários anos“, salientou a responsável.

Para estes casos, disse, “não há resposta, apenas uma opção, nunca imposição: a adoção”. “O seu objetivo primeiro é ter filhos biológicos e não lhes deve ser atirada a resposta ‘podes sempre adotar’. Não lhes cabe assumir essa responsabilidade social, mas ser mãe e pai de coração se o quiserem”, defendeu Joana Freire.

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