Durante trinta anos foi correspondente internacional do The Sunday Times, The Observer e The Independent, trabalhando na Europa, África, Médio Oriente, ex-União Soviética e Estados Unidos. Também escreveu para vários jornais e revistas norte-americanos, incluindo o New York Times, Washington Post, The Atlantic, New Republic e The Nation. É autor e coautor de vários livros sobre ciência e assuntos atuais, incluindo: Insight on the Middle East War; Insight on Portugal; The Nuclear Barons,; Chernobyl, Cornered: Big Tobacco at the Bar of Justice e o best-seller Bloody Sunday, Derry. O seu livro sobre agricultura biotecnológica, Food Inc., foi livro do ano para o New York Times and American Library Association. E foi o jornalista que, em 1973, provocou, através do seu trabalho de reportagem, que as tropas portuguesas tinham cometido um massacre que matou milhares em Wiriamu, Moçambique. Peter Pringle, hoje com 82 nos, em entrevista à TSF.
O que é que o fez escrever sobre o assunto?
Eu estava a trabalhar na redação do Sunday Times. E a notícia de Wiriamu tinha vindo dos missionários que estavam em Moçambique na altura, e tinha sido recolhida por um padre britânico, o Padre Hastings. E ele trouxe-a para Londres e deu-a ao Daily Times. E foram eles os primeiros a contar a história. E depois, é claro, todos os correspondentes britânicos saíram, foram para Moçambique, para tentar confirmar esses relatos. E o correspondente do Times, o correspondente do London Times Michael Knight, foi preso ou colocado em prisão domiciliária e foi-lhe dito que tinha de sair e não podia continuar a sua investigação; eu cheguei um pouco mais tarde do que ele. E pude realmente ir à missão de San Pedro, onde estes padres padres espanhóis tinham feito as denúncias. Fale com eles e apresentaram-me a um rapaz de 15 anos de idade, António que tinha sido baleado nesse dia, mas que conseguiu fugir, tendo apenas levado um tiro no ombro. E assim consegui obter dele e de outro sobrevivente, alguns relatos em primeira mão e depois trouxe-os de volta para Londres. Não sem alguns incidentes. A pessoa local da DGS, da PIDE, polícia secreta portuguesa, não queria que eu fizesse a reportagem. E assim prenderam-me e colocaram-me em prisão domiciliária no hotel Polana, em Lourenço Marques, agora Maputo. Mas tentei divulgar a minha história. Um dia, consegui escapar do hotel e fui à cidade e tentei mandá-la por telex mas a operadora de telex disse-me que o tempo estava muito mau, o que era obviamente uma desculpa para não a enviar, mas consegui que o operador do hotel a enviasse e assim tudo começa a explodir a partir daí.
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