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Presidente do parlamento diz que mudanças na Fretilin não implicam mudar liderança

Lusa

O presidente do Parlamento Nacional timorense disse hoje à Lusa que a mudança é “uma exigência” no seu partido, a Fretilin, mas que isso não significa que é necessário substituir a atual liderança no congresso na próxima semana

“A mudança é uma exigência, mas mudança não significa que tem que substituir a atual liderança por uma nova. Mas queremos, e eu pessoalmente, quero uma mudança, mas não porque haver só uma mudança e que depois enfraqueça o partido. Não mudar só por mudar”, afirmou Aniceto Guterres Lopes, em entrevista à Lusa.

“A política tem que ser ajustada, mas se uma mudança é para enfraquecer o partido então não vale a pena fazer uma mudança”, disse.

As declarações de Aniceto Guterres Lopes acontecem a poucos dias do Congresso Nacional da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), maior partido no parlamento, que ocorre a menos de um ano das próximas eleições legislativas, previstas para maio de 2023.

A reunião magna, em que participam mais de 900 delegados (dos quais dois terços eleitos pelas estruturas em todo o país) deverá eleger os novos presidente e secretário-geral, além de outros quadros partidários.

Já confirmada está a candidatura dos atuais dois responsáveis, o presidente, Francisco Guterres Lú-Olo, e o secretário-geral, Mari Alkatiri, mas continua a haver dúvidas sobre outras eventuais candidaturas.

Inicialmente estava prevista a apresentação de um ‘pacote’ alternativo, com o deputado José Somotxo candidato a presidente e o ex-primeiro-ministro Rui Araújo candidato a secretário-geral, mas alguns militantes admitem que Lere Anan Timur poderia substituir Somotxo nessa lista.

A questão ainda está em aberto com divergências de interpretação sobre se Lere Anan Timur – que esteve formalmente afastado da máquina do partido durante a sua vida militar – cumpre ou não os requisitos estatutários para se candidatar.

O próprio Lere Anan Timur disse à Lusa que ainda não decidiu se vai ou não se candidatar, com Alkatiri convicto da vitória da sua candidatura.

Aniceto Guterres Lopes insiste que a atual situação do país, depois de anos de impasses políticos e ainda com os impactos da pandemia e da situação global causada pela guerra na Ucrânia, “necessita de uma liderança de um partido como a Fretilin”.

“Uma liderança com visão e com experiência e desde que tenho vontade para resolver os problemas do país, do Estado”, disse.

Neste âmbito considera que é crucial que o congresso debata a transição geracional, “não a transição do partido, mas sim da liderança do país”.

“Com a nossa situação de hoje, com os líderes nacionais com a idade que têm, temos que falar da transição da liderança do país. A transição da liderança do partido também é importante, mas não tão importante como encarar o processo dessa transição”, referiu.

“Estamos a trabalhar para criar essas condições e isso inclui condições sobre o diálogo e entendimento entre os líderes nacionais e também entre os partidos políticos para garantir e segurar, orientar essa transição”, referiu.

Alkatiri disse à Lusa que o Congresso decorre sob o lema “Lori Naroman ba Povo” (Trazer a luz para o povo) para contrariar o que considera terem sido esforços de “empurrar o povo para a escuridão, para o controlar melhor”.

“Diz-se que a Fretilin é de todos, mas isso não pode ser só slogan. Como se faz para a Fretilin ser de todos, não em termos de votos, mas em termos de governação? Para fazer isso, tens que ter o partido como força de liderança de toda uma base frentista mais representativa e aí vou dar as ideias de como podemos voltar a ter esta base frentista”, disse.

Recuperar a força dos quadros médios e da base é outro dos objetivos “com novos métodos com maior profundidade de diálogo com as bases”.

Haverá ainda um conjunto de propostas de alteração aos estatutos, incluindo a eventual decisão de que caberá ao Comité Central da Fretilin designar candidatos do partido à Presidência da República e à Comissão Política Nacional designar candidato a primeiro-ministro.

“Haverá também novos órgãos de enquadramento para pessoas que cumpriram outras missões. Um conselho consultivo, mas também um órgão que é o comité diretor, com figuras históricas”, disse.

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