Início » Factos e verdades que devem ser apurados sobre a visita de Nancy Pelosi à região de Taiwan, da China

Factos e verdades que devem ser apurados sobre a visita de Nancy Pelosi à região de Taiwan, da China

Chen XiaolingChen Xiaoling*

A despeito da forte oposição e sérias advertências pela parte chinesa, a Presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, visitou a região de Taiwan da China, enviando um sinal muito errado às forças secessionistas da “Independência de Taiwan”. A visita foi uma farsa política malfeita, também foi uma provocação deliberada e perigosa.

As contramedidas subsequentemente tomadas pela parte chinesa, a fim de salvaguardar a sua soberania e a integridade territorial são necessárias, justas, razoáveis e legais.

Logo depois da visita de Pelosi, mais de 170 países tiveram uma voz justa, reafirmando a firme adesão à política de Uma Só China, demonstrando compreensão e dando apoio à posição chinesa. No entanto, algumas forças anti-China desrespeitam os factos e ignoraram as provocações deliberadas dos EUA. Fazem críticas desenfreadas e injustas às contramedidas que foram tomadas pela China adequadamente, até aplaudiram publicamente as iniciativas de “Independência de Taiwan”. Como diz um provérbio chinês: “Os rumores param nos sábios, e a justiça está no coração do povo”. Para que mais amigos portugueses saibam a verdade, levo ao vosso conhecimento algumas falsidades típicas que vou tentar refutar com base em factos.

FALSIDADE I: “O estatuto de Taiwan é indeterminado”


REALIDADE: Apenas existe uma China no mundo, e Taiwan tem sido uma parte inalienável do território chinês desde a antiguidade, o que não é apenas um facto histórico, mas também tem uma sólida base jurisprudencial.

Nos tempos do término da II Guerra Mundial, a Declaração do Cairo de 1943 estipula claramente que os territórios chineses roubados pelo Japão, Taiwan e as Ilhas Penghu inclusive, serão devolvidos à China, o que foi reafirmado na Declaração Potsdam em 1945. Já em 1971, a Resolução 2758 da Assembleia Geral das Nações Unidas definiu que o governo da República Popular da China é o único governo legítimo que representa toda a China. O princípio de Uma Só China é do consenso da comunidade internacional e uma norma básica das relações internacionais.

181 países estabeleceram relações diplomáticas com a China com base neste princípio. Mesmo que Taiwan e o continente da pátria ainda não se tenham reunificado, nunca houve divisão na soberania e território da China, e nunca houve nenhuma alteração em relação ao facto de que os dois lados do Estreito pertencem a uma só China.

FALSIDADE II : “As responsabilidades da alteração do status quo do Estreito de Taiwan são da China”

REALIDADE: Os Estados Unidos e as forças secessionistas da “Independência de Taiwan” foram quem iniciaram perturbar a paz no Estreito de Taiwan e desestabilizaram a região. Taiwan nunca foi um país, existe apenas uma China, e ambos os lados do Estreito são do mesmo país. Isso é o status quo de Taiwan desde a antiguidade até ao momento presente.

Em 1978, o Comunicado Conjunto sobre o Estabelecimento das Relações Diplomáticas China-EUA reafirmou claramente que o Governo da República Popular da China é o único governo legítimo que represente toda a China, e Taiwan é uma parte da China. Isso constitui o status quo do Estreito de Taiwan que nunca foi alterado nas últimas décadas.

No entanto, é verdade que esse status quo foi quebrado. Quem o mudou não foi a China, mas sim os Estados Unidos e as forças secessionistas da “Independência de Taiwan”.

Em 2000, os Estados Unidos colocaram a chamada “Lei de Relações com Taiwan”, que foi unilateralmente inventada, numa posição acima dos três Comunicados Conjuntos China-EUA. E ainda, nos últimos anos, os Estados Unidos adicionaram publicamente as “Seis Garantias a Taiwan” clandestinas ao seu relato sobre a política de Uma Só China.

Depois de subir ao poder, o Partido Democrático Progressista de Taiwan avançou com a “Independência Progressiva de Taiwan”, pratica em grande medida a “dessinização” e em várias ocasiões pretendeu criar “duas China” ou “uma China e um Taiwan”.

Todas estas ações são para provocar e invalidar abertamente o princípio de Uma Só China.

Alguns americanos têm dramatizado a “Ameaça Militar da China” em torno da questão de Taiwan. Isso é, de fundo, um pretexto para aumentar o seu próprio orçamento militar, expandir o seu poder militar, e para interferir nos assuntos regionais da Ásia-Pacífico.

Os EUA alegam que a visita da Nancy Pelosi a Taiwan foi uma “visita privada” e tentam cobri-la. Trata-se de um passo perigoso na sua conivência para com as forças secessionistas da “Independência de Taiwan”.

FALSIDADE III: “A visita de Nancy Pelosi à região de Taiwan da China representa o apoio à democracia de Taiwan e defende os valores democráticos”

REALIDADE: O que Nancy Pelosi fez foi infringir a soberania chinesa, desestabilizar o Estreito de Taiwan e refrear o desenvolvimento na China com o pretexto de “democracia”. É simplesmente uma manipulação política, que mais uma vez expôs a cara feia dos EUA como uma democracia falsa numa verdadeira hegemonia.

A democracia é um valor comum de toda a humanidade. É um direito dos povos de todos os países, em vez de ser os interesses exclusivos e egoístas de apenas determinados países.

Se um país é ou não democrático, isso deve ser julgado pelo povo do próprio país e não por uma minoria de estrangeiros. Nancy Pelosi, que se considera uma defensora da “liberdade, democracia e direitos humanos”, julga a democracia dos outros países de acordo com os seus gostos pessoais, e promove a chamada narrativa “democracia contra o autoritarismo” na comunidade internacional. Isso, de facto, é para utilizar a ideologia e os valores como um instrumento para conquistar os próprios interesses assentes no partidarismo e geopolítica, com a teima da mentalidade da Guerra Fria.

Ao longo dos anos, os EUA rotularam, politizaram e instrumentalizaram a democracia, instigaram “Revoluções Coloridas”, e travaram guerras e operações militares no Afeganistão, Iraque e outros países, resultando em centenas de milhares de mortos, milhões de feridos e dezenas de milhões de pessoas deslocadas.

FALSIDADE IV: “Os exercícios militares da China ao redor de Taiwan são uma reação exagerada, e fizeram escalar a situação”

REALIDADE: A visita de Nancy Pelosi a Taiwan resultou em consequências sérias, violou gravemente o princípio de Uma Só China e os três Comunicados Conjuntos China-EUA, teve um impacto grande nos alicerces políticos das relações sino-americanas, infringiu severamente a soberania e a integridade territorial da China, e prejudicou a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan, tendo enviado um sinal absolutamente errado às forças secessionistas da “Independência de Taiwan”.

Naturalmente, a parte chinesa respondeu com firmeza. A nossa posição é justificada, razoável e legal, as nossas medidas são firmes, eficazes e proporcionais, e os nossos exercícios militares são públicos, transparentes e profissionais, que correspondem ao direito interno e internacional bem como às práticas internacionais. O objectivo é avisar os perpetradores e castigar as forças secessionistas da “Independência de Taiwan”.

Ao mesmo tempo, também estamos a defender o direito internacional e as normas básicas das relações internacionais, especialmente a não interferência nos assuntos internos dos outros países, a norma mais importante constante na Carta da ONU. Se este princípio for ignorado e abandonado, o mundo voltará à lei da selva, e os Estados Unidos intimidarão e oprimirão de forma ainda mais desenfreada os outros países, especialmente os pequenos e médios países, a partir da sua chamada posição de força.

Não podemos permitir que isso aconteça, e todos os países devem se unir para que isso não aconteça e que o progresso da civilização humana não recue.

FALSIDADE V: Taiwan vai ser a próxima Ucrânia

REALIDADE: Taiwan não é a Ucrânia, a natureza da questão de Taiwan é completamente diferente da questão da Ucrânia. As duas questões não se comparam. Taiwan é uma parte inalienável do território chinês, e difere em absoluto da situação da Ucrânia, que é um Estado soberano.

Certas forças anti-China e secessionistas da “Independência de Taiwan” comparam de propósito a questão de Taiwan à da Ucrânia. A intenção é maldosa com o intuito de criar uma nova crise no Estreito de Taiwan e servir os seus interesses geoestratégicos e económicos à custa do bem-estar dos povos dos dois lados do Estreito e da paz e estabilidade regionais.

A questão de Taiwan é um assunto interno da China, onde não é permitida nenhuma intervenção externa. A determinação e a vontade do povo chinês para defender a soberania nacional e integridade territorial são inabaláveis. Quem brinca com o fogo na questão de Taiwan acabará por se queimar.

Esperamos que os nossos amigos portugueses venham a reconhecer o despropósito e as consequências graves da visita da Nancy Pelosi a Taiwan, e que não sejam induzidos em erro pelas falsidades contra o princípio de Uma Só China, que continuem a seguir uma posição justa e aderir a este princípio, por forma a preservar a sublime causa da amizade sino-portuguesa através de prática de ações.

*Encarregada de Negócios a.i – Embaixada da China em Portugal

Tags:

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website