“Temos de pedir desculpas ao povo português pela atitude de Jair Bolsonaro” - Plataforma Media

“Temos de pedir desculpas ao povo português pela atitude de Jair Bolsonaro”

O Presidente da República do Brasil, Jair Bolsonaro, tinha programado um almoço com o seu homólogo de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, durante o último fim de semana, aquando da vista deste último aquele país sul-americano. No entanto, Bolsonaro acabaria por o cancelar, tudo porque o líder máximo português marcou também um encontro com Lula da Silva, seu principal adversário nas eleições presidenciais brasileiras, marcadas para o próximo dia 2 de outubro.

A atitude de Jair Bolsonaro levou a que várias críticas tivessem sido apontadas na sua direção, sendo que o líder da oposição no Senado brasileiro, Randolfe Rodrigues, considera o cancelamento do almoço com Presidente da República um episódio “triste, lamentável e constrangedor”. Aliás, em declarações à Agência Lusa, este considerou “triste” que o Presidente brasileiro se tenha comportado “como um moleque mimado” ao ter cancelado o encontro com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

“É triste, lamentável e constrangedor para todos nós brasileiros ter um Presidente da República que ao invés de se comportar à altura da magistratura do cargo que ocupa, se assemelha mais a um moleque mimado”, disse, numa declaração à agência Lusa, Randolfe Rodrigues.

O líder da oposição ao Governo Bolsonaro no Senado Federal e presidente da Comissão Especial Curadora do Senado para o Bicentenário da Independência do Brasil deixou um pedido de desculpas aos portugueses. “Em nome do povo brasileiro eu quero pedir desculpas ao Presidente de Portugal, às autoridades do país irmão e ao povo português. Temos de pedir desculpas pela atitude de Jair Bolsonaro”, afirmou.

Randolfe Rodrigues, que integra a coordenação da campanha do ex-Presidente Lula da Silva às eleições presidenciais de outubro prometeu ainda que tudo fará para “garantir a todos os portugueses” que “este tempo de vergonha” tenha “os dias contados.

Estas declarações de surgiram pouco tempo depois do chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa, ter anunciado que deixou cair a ida a Brasília para um encontro com o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, isto após ter ficado à espera que o líder do Planato reformulasse o convite para o encontro entre ambos. O mesmo, contudo, acabou por não surgir.

Além de Randolfe Rodrigues, outra figuras políticas brasileiras ficaram chocadas com a atitude de Jair Bolsonaro, nomeadamente o ex-presidente Michel Temer, que afirmou isso mesmo a Marcelo Rebelo de Sousa.

“O cancelamento não é um problema, mas percebi que ele [Temer] estava incomodado com isso e fez questão de me dizer”, disse o presidente português em conversa com os jornalistas.

Jair Bolsonaro, refira-se, declarou à CNN Brasil, na última sexta-feira, que tinha decidido cancelar o almoço entre os dois, o que justificou com o facto de Marcelo Rebelo de Sousa se ir encontrar com Lula da Silva, durante a sua visita ao Brasil.

Portugal ficou bem visto

Apesar de acabar por não ter tido a oportunidade de encontrar-se com o seu homólogo brasileiro, Marcelo Rebelo de Sousa acredita que o cancelamento da reunião acabou por ser vantajoso, pelo destaque mediático que trouxe a Portugal no Brasil.

“”Aquilo que podia ser um amargo de boca foi uma coisa muito doce, vista numa perspetiva de médio-longo prazo”, sustentou o chefe de Estado, em declarações aos jornalistas, em São Paulo, argumentando que este episódio “permitiu que se falasse de Portugal aqui ainda mais”.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, a presença do Presidente português no Brasil “passou a ser tema”, tornou-se algo “tão coberto, tão coberto pela comunicação social brasileira” e gerou-se “uma grande simpatia em relação a Portugal”.

“Portugal marcou, e foi bom, foi um bom investimento. Nós temos um princípio, os crentes dizem que Deus escreve direito por linhas tortas. E a linha tortinha deu escrever muita coisa direita”, acrescentou.

No seu balanço, esta visita de três dias, com passagens por Rio de Janeiro e São Paulo, “correu muitíssimo bem, e superou as expectativas”.

Interrogado se estava a sugerir que não fez falta o encontro com Bolsonaro, respondeu: “Não, quer dizer, teve grandes virtualidades. Portugal ficou marcante no Brasil e abriu-se o apetite para futuros encontros. E não há nada como isso, de facto, assim um compasso de espera, para depois o abraço ser ainda maior, como o abraço que recebemos genericamente de todos os brasileiros”.

Questionado se espera que Jair Bolsonaro lhe telefone antes da sua próxima vinda ao Brasil, prevista para o próximo mês de setembro, poucas semanas antes das eleições presidenciais, observou. “Eu sou velhinho, já vi tanta coisa na vida, que realmente esta é das mais fáceis de adivinhar”, disse o líder máximo de Portugal, salientando que até agora não recebeu nenhuma comunicação por escrito da parte do Presidente do Brasil sobre este cancelamento, nem nenhum telefonema: “O meu telefone não tocou – ou melhor, tocou várias vezes, mas não tocou desse número”. .

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