Oportunidade para Erdogan - Plataforma Media

Oportunidade para Erdogan

Mais de dois meses depois do início do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, dois países nórdicos, Finlândia e Suécia, que tinham mantido uma posição neutra até então, demonstraram interesse em se juntarem à NATO. Os Estados Unidos, entusiasmados com esta possibilidade, iniciaram de imediato o processo de adesão destas nações. Para os norte americanos a participação da Finlândia e da Suécia na NATO é claramente positiva, ajudando a fortalecer a sua liderança do que é atualmente a maior aliança militar em todo o mundo. Os EUA têm, na verdade, promovido ativamente a participação destes países na NATO, ficando por isso radiantes quando a possibilidade surgiu. Contudo, foi então que o presidente turco, Erdogan, também aliado da NATO, interveio e afirmou desaprovar a adesão da Finlândia e Suécia à organização.

De acordo com as regras da NATO, as adesões precisam de ser aprovadas por todos os estados-membros, ou seja, enquanto a Turquia votar contra, a Finlândia e a Suécia não poderão entrar para a aliança. Erdogan aproveitou esta oportunidade para concretizar alguns dos seus objetivos políticos. Por exemplo, na questão da Rússia o presidente turco condenou por um lado a invasão da Ucrânia, no entanto, em vez de seguir o resto do ocidente nas suas sanções à Rússia, desenvolveu uma cooperação económica e comercial com o país. O presidente tentou ainda condenar a Rússia durante a questão do Alto Carabaque, ao mesmo tempo utilizando a sua influência para tentar acalmar a relação entre a Rússia e a Ucrânia.

Segundo este contexto, seria extremamente difícil para os EUA tentar controlar a Turquia, tendo em conta a longa relação dos dois países, especialmente após terem apoiado o antigo líder turco, Gulen, que esteve exilado nos EUA, durante o seu golpe de estado em 2016. Caso Putin não tivesse informado Erdogan do sucedido, o atual presidente turco seria de facto Gulen. Erdogan nunca perdoou os EUA pelo seu apoio ao golpe de estado de Gulen e tentativa de assassinato, e por isso é que o lado americano também nunca conseguirá convencer a Turquia a abandonar a sua aquisição de misseis antiaéreos russos S-400. Erdogan aproveitou a possível adesão da Finlândia e da Suécia para fazer chantagem política, e os EUA estavam conscientes disso, mas não havia nada a fazer. A entrada destes países para a NATO depende apenas das cartas de negociação usadas pelo lado americano. Os EUA, apesar de não cederem imediatamente, poderão considerar oferecer alguns benefícios à Turquia. Este conflito internacional veio na altura perfeita para a Turquia, e o resultado parece ser claro, tanto a Finlândia como a Suécia terão de ceder, os EUA e o resto da Europa de oferecer alguns favores, e Erdogan irá ainda tentar cair nas boas graças da Rússia

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