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Moscovo quer trocar sanções por cereais enquanto avança em Lugansk

César Avó

Ministro ucraniano denuncia “chantagem” russa. Guterres estará a negociar corredores no Mar Negro para a distribuição dos cereais. Na frente, Exército russo já controla 95% da região de Lugansk.

À segunda intervenção de Volodymyr Zelensky no Fórum Económico Mundial, em Davos, o presidente ucraniano disse que o seu país “está a lutar pela soberania e para recuperar todos os seus territórios”, contudo o Exército invasor continua a progredir no terreno, em especial na região de Lugansk, onde já controla 95% do território e tenta capturar Severodonetsk. A Rússia mostrou-se disposta a levantar o bloqueio aos portos ucranianos em troca do levantamento de sanções, uma ideia que foi classificada de “chantagem” pelo chefe da diplomacia ucraniana.

Moscovo mostrou-se interessado em levantar o cerco aos portos ucranianos para permitir a saída dos cereais ucranianos e atenuar a crise alimentar global que se avizinha. Segundo o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros Andrei Rudenko, a Rússia disponibiliza um corredor humanitário para os navios mercantes zarparem da Ucrânia, na condição de serem levantadas certas sanções.

“Reiterámos que uma solução para o problema alimentar requer uma abordagem abrangente, incluindo o levantamento das sanções que foram impostas às exportações ou transações financeiras russas. E requer também a desminagem do lado ucraniano de todos os portos onde os navios estão ancorados. A Rússia está pronta a fornecer o corredor humanitário necessário”, disse Rudenko.

Cerca de 20 milhões de toneladas de cereais estão armazenados em silos na Ucrânia, a aguardar a exportação. O governo ucraniano e a ONU têm alertado para as graves consequências do bloqueio, não só para a Ucrânia, mas para a segurança alimentar global. Além do aumento dos preços dos produtos essenciais como o trigo, milho, cevada e óleo de girassol, teme-se uma crise alimentar que pode levar à fome milhões de pessoas. Kiev tem também acusado Moscovo de roubo de cereais e, na terça-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Dmytro Kuleba, instou a comunidade internacional a não ser cúmplice desse crime.

Também nesse dia, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, acusou a Rússia de “utilizar os alimentos como arma” ao não permitir as exportações ucranianas de cereais. “A Rússia está sempre pronta para o diálogo com aqueles que procuram uma resolução pacífica dos problemas. Deixo as declarações de von der Leyen à sua consciência”, respondeu Rudenko.

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