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A direção da transformação energética na China

TRANSIÇÃO ENERGÉTICA FOI UM DOS TEMAS DISCUTIDOS NO FÓRUM DE BOAO PARA A ÁSIA. NO CONTEXTO DO OBJETIVO DE NEUTRALIDADE DE CARBONO GLOBAL, A PROMOÇÃO DA TRANSFORMAÇÃO ENERGÉTICA E DE DESENVOLVIMENTO DE TECNOLOGIAS SUSTENTÁVEIS E DE BAIXAS EMISSÕES TRANSFORMOU-SE NUMA PRIORIDADE INTERNACIONAL. ALÉM DO FÓRUM PROMOVER ENERGIAS LIMPAS, FOI TAMBÉM INICIADA A CONSTRUÇÃO DA PRIMEIRA GRANDE BASE PARA ARMAZENAMENTO ENERGÉTICO HIDRÁULICO, EÓLICO E SOLAR EM XINJIANG. 

Para dar resposta aos desafios criados pelas alterações climáticas por todo o mundo, mais de 130 regiões e países adotaram objetivos de emissões zero e neutralidade de carbono. O segredo para este desenvolvimento sustentável está na transformação e integração energética. 

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Liu Jizhen, membro da Academia Chinesa de Engenharia, salienta que o principal foco desta transformação futura deve ser a diminuição do impacto das energias fósseis, o uso alargado de energias limpas e a integração de múltiplas fontes energéticas. 

Já o presidente do Conselho de Administração da China Energy (CEEC), Song Hailiang, refere que a promoção da integração energética não serve como substituto para o desenvolvimento energético noutros setores. O mesmo responsável sublinha que deve ser estabelecida uma cooperação com os setores industriais, de construção e transportes para conseguir estabelecer uma transformação energética sustentável e de baixas emissões. 

Atualmente, a CEEC possui uma plataforma para o desenvolvimento de energia a hidrogénio e já foram implementados projetos na indústria. Os participantes no Fórum de Boao acreditam que há um grande potencial de negócio no desenvolvimento verde e de baixo carbono. De acordo com Deng Jianling, diretor-geral do Grupo China Huaneng, a empresa está a aprofundar a sua pesquisa acerca do uso de eletricidade e hidrogénio para a construção de um parque industrial, movido a hidrogénio sustentável, capaz de promover esta revolução energética. 

“Acreditamos que a indústria de hidrogénio é bastante promissora, com potencial para um valor de cerca três biliões de yuan” , salienta. 

Para Liu Qiao, diretor da Faculdade de Gestão de Guanghua da Universidade de Pequim, deve ser estabelecido “o mais rápido possível um mecanismo de tarifas de carbono, assim como incorporado o atual sistema de comércio de carbono nas previsões de custo das empresas através de produtos financeiros como títulos e créditos verdes”. 

O EXEMPLO DE XINJIANG 

Por outro lado, em abril deste ano, a inauguração da Central Energética da Xinhua Hydropower Company Limited em Burqin, Xinjiang (subsidiária da CNNC: Corporação Nuclear Nacional da China) marcou o início da construção da primeira grande base de energia limpa com armazenamento de energia hidráulica, eólica e solar da região. 

O projeto em Burqin é o primeiro da CNNC que integra energia hidráulica, eólica, solar e armazenamento. O plano, com uma capacidade de 1,4 milhões de kilowatts, venceu um concurso de financiamento e irá receber apoio para um quarto dos seus custos de construção, capaz assim de produzir dois milhões de kW e 3,6 milhões de kW de energia solar e eólica, respetivamente. 

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Está também em curso a construção da primeira fase de equipamentos de produção de 150 mil kW de energia eólica. Espera-se que o projeto total conte com uma capacidade instalada de sete milhões de kW. 

A CNNC Xinhua desenvolve energia limpa em Xinjiang há 20 anos, tendo já participado na administração de vários projetos de reservatórios de água, como por exemplo o do rio Yarkant e o Projeto de Conservação de Água de Altash, conhecido como a “Barragem das Três Gargantas de Xinjiang”, entre outros relacionados com energias hidráulica, eólica e fotovoltaica. 

Foram construídas seis centrais de energia na região de Altai, incluindo em afluentes do rio Irtich (como a Central de Energia Hidroelétrica do rio Burqin e do rio Haba, bem como a Central de Energia Eólica de Oymak). 

CARVÃO ACELERA TRANSFORMAÇÃO 

Segundo o Plano para um Sistema de Energia Moderna, o sistema energético chinês procura ser mais seguro e robusto. O plano, emitido pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma e pela Administração Nacional de Energia, quer definir novas normas para a produção de carvão, petróleo bruto e gás natural para que até 2025, o total anual de energia produzida a nível nacional atinja as 4,6 biliões de toneladas de carvão. 

Leia também: China reduz escassez energética com aumento da produção de carvão

O projeto pretende também que o petróleo bruto estabilize nas 200 milhões de toneladas e a produção de gás natural ultrapasse os 230 milhões de metros cúbicos. Su Jia, analista do Chem365, afirma que o plano propõe que seja “estabilizada a oferta e procura de carvão na China, assim como a sua segurança energética. Para conseguir uma maior reserva de carvão e autossuficiência nesta área, a indústria terá de acelerar a sua transformação, otimização de produção e consumo sustentável segundo os objetivos de ‘pico de emissões’ e neutralidade de carbono”. 

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