Ramos-Horta tem o dobro dos votos de Lú-Olo, mas não evita a 2.ª volta - Plataforma Media

Ramos-Horta tem o dobro dos votos de Lú-Olo, mas não evita a 2.ª volta

Ex-presidente teve 46,58%, frente aos 22,16% do atual mandatário, e diz-se “feliz e animado” com o grande apoio nacional. A repetição do frente a frente de 2007 será a 19 de abril.

O vencedor da primeira volta das eleições presidenciais de sábado em Timor-Leste, José Ramos-Horta, disse ontem estar muito “feliz e animado” com o “fator humano” que viveu na campanha, traduzido num apoio de quase 47% dos votos. O ex-presidente e Nobel da Paz conseguiu mais do dobro dos votos do segundo classificado, o atual chefe de Estado Francisco Lú-Olo Guterres, mas não evitou a necessidade de ir a uma segunda volta, a 19 de abril.

“Estou muito, muito animado e feliz porque concorrendo com 15 outros candidatos, fiquei em primeiro lugar com quase 47%, pouco mais do dobro do segundo mais votado”, afirmou José Ramos-Horta à Lusa. “E além da política, dos compromissos da política, há sempre o fator humano. Foi mais uma grande lição de humildade ao receber tanto apoio, tanto carinho, tanto sacrifício de muitos timorenses de todas as idades e classes sociais que se mobilizaram para apoiar esta candidatura”, afirmou.

Leia mais em: Timor-Leste: José Ramos-Horta lidera, mas há elevada abstenção

José Ramos-Horta venceu a primeira volta das presidenciais com 301 481 votos (46,58%), segundo dados finais provisórios do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) – que vão ser agora confirmados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE). O atual chefe de Estado, Lú-Olo, da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), foi segundo, com 143 408 votos (22,16%).

Em terceiro ficou a atual vice-primeira-ministra, Armanda Berta dos Santos, com 56 289 votos (8,7%). O ex-comandante das Forças Armadas Lere Anan Timur foi o quarto mais votado com 48 959 votos (7,57%), à frente do deputado Mariano Sabino, do Partido Democrático (PD), com 47 008 votos (7,26%). Os restantes 11 candidatos, nas mais concorridas eleições de sempre, somam entre si 7,73% dos votos. A taxa de abstenção nas eleições de sábado foi de 22,74%, mais baixa que os 28,84% registados nas presidenciais de 2017.

Repetição de 2007

Uma segunda volta entre Ramos-Horta e Lú-Olo não é inédita, tendo ocorrido já em 2007. “Vamos à segunda ronda, tal como aconteceu em 2007. E eu nessa segunda volta consegui quase 80% dos votos”, recordou Ramos-Horta.

O ex-presidente escusou-se a avançar já com que apoios adicionais contará na segunda volta, além do do Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), o partido de Xanana Gusmão (herói da independência e primeiro presidente de Timor-Leste), que o apoiou na primeira. “Eu não quero reivindicar ou reclamar apoios eu próprio. Estou em contacto com várias personalidades que concorreram para esta eleição. Não vou divulgar nomes, nem adiantar nada. Mas como é obvio, pessoalmente estou a fazer estes contactos com vista à segunda volta”, disse.

Questionado sobre os fatores que contribuíram para a sua vitória, Ramos-Horta disse que ao longo da campanha, e nos dois anos anteriores, sentiu que o eleitorado “quer Xanana Gusmão de volta na chefia do Governo” e a ele na Presidência. Um apoio, considerou, que traduz a vontade de “dinamizar a economia, restaurar a posição de Timor-Leste no plano internacional, ser mais relevante no plano regional e internacional”. Ao mesmo tempo, considerou, os resultados traduzem uma “rejeição da atual liderança da Fretilin”.

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