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Negociações para salvar acordo nuclear iraniano são retomadas em Viena

AFP

As negociações para tentar salvar o acordo nuclear iraniano, retomadas nesta segunda-feira (27) em Viena, serão “muito difíceis”, alertou o coordenador da União Europeia (UE), Enrique Mora

Após cinco meses de interrupção, as conversas para salvar o acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano de 2015 foram retomadas no fim de novembro em Viena entre os países negociadores (Alemanha, França, Reino Unido, China, Irã e Rússia).

Mora, que preside a reunião, indicou que todas as partes mostraram “uma clara vontade de trabalhar para o sucesso desta negociação”, o que é “um bom presságio”.

“Vamos trabalhar seriamente nos próximos dias e semanas… será muito difícil”, completou.

Os negociadores trabalharão até a sexta-feira e darão uma pausa nas conversas durante o fim de semana por razões logísticas, revelou Mora.

O acordo alcançado em 2015 concedia à República Islâmica o levantamento de parte das sanções que sufocavam sua economia em troca de uma redução drástica de seu programa nuclear, sob controle estrito da ONU.

O que está em jogo nessa nova rodada de negociações é conseguir o retorno dos Estados Unidos ao pacto, depois que o país deixou o acordo em 2018 e restabeleceu as sanções contra o Irã. Os Estados Unidos participam indiretamente das negociações, já que Teerã se recusa a manter negociações diretas com Washington.

“Hoje se abre um novo ciclo de negociações. A questão das garantias e verificação” do levantamento das sanções americanas se Washington voltar ao acordo “está na ordem do dia”, declarou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Hossein Amir-Abdollahian.

Petróleo iraniano

“O mais importante para nós é chegar a um ponto em que possamos verificar que o petróleo iraniano é vendido facilmente e sem limites, que o dinheiro do petróleo chegue às contas bancárias iranianas em moeda estrangeira e que possamos nos beneficiar de todas as receitas nos diferentes cenários econômicos”, completou o chanceler.

“Chegamos a um documento comum sobre o programa nuclear e sobre as sanções. Hoje começarão as primeiras negociações [sobre este tema]”, acrescentou.

O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh, havia aconselhado “todos os participantes nas negociações a virem a Viena com a vontade de chegar a um bom acordo”, já que o Irã se nega a “perder tempo e energia”.

Também lembrou que a delegação iraniana “se concentrará em dois assuntos: o levantamento das sanciones e a atividade nuclear”.

‘O tempo está acabando’

Os Estados Unidos advertiram o Irã que não desejam que as discussões durem uma eternidade, mas, por ora, não deram nenhum ultimato. 

Restam apenas “umas poucas semanas” para salvar o acordo nuclear iraniano se Teerã continuar expandindo suas atividades atômicas no ritmo atual, assinalou na semana passada o negociador americano Rob Malley, que também alertou para uma “crise” em caso de fracasso da diplomacia.

O mesmo tom é adotado por parte de França, Alemanha e Reino Unido (E3): “O tempo está acabando. Na falta de um progresso rápido, dada a velocidade de avanço do programa nuclear do Irã, o acordo logo se transformará em letra morta”, advertiram altos funcionários.

Em resposta ao restabelecimento das sanções contra si, o Irã deixou de cumprir gradualmente as limitações impostas a seu programa nuclear, apesar de negar qualquer intenção de desenvolver uma arma atômica.

Nesse sentido, o diretor da Organização Iraniana de Energia Atômica, Mohammad Eslami, garantiu no sábado que a República Islâmica não tem a intenção de enriquecer urânio em mais de 60%, mesmo em caso de fracasso das negociações. 

O representante permanente da Rússia para as Organizações Internacionais em Viena, Mikhail Ulyanov, classificou a declaração iraniana como uma “mensagem positiva”.

Já o ministro das Relações Exteriores de Israel, Yair Lapid, cujo país teme que o Irã, país inimigo, venha a se equipar com a arma atômica, declarou nesta segunda-feira que “frear o programa nuclear de Teerã” é “o primeiro desafio para a política externa e de segurança de Israel”.

“Preferimos atuar através da cooperação internacional, mas, se for necessário, vamos nos defender sozinhos”, acrescentou Lapid.

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