Pelo menos dois países africanos já começaram a administrar terceiras doses da vacina contra a Covid-19 e Cabo Verde prepara-se para fazê-lo em dezembro, mas 90% da população do continente não recebeu sequer a primeira dose
A desigualdade nos níveis de vacinação contra a Covid-19 entre países ricos e pobres tem sido alvo de fortes críticas.
O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, classificou recentemente como “um escândalo” o facto de todos os dias estarem a ser administradas no mundo seis vezes mais doses de reforço do que doses iniciais para imunizar contra o vírus SARS-CoV-2.
Com apenas 6,6% da população totalmente vacinada, África é de longe o continente com menor cobertura de vacinação. Segundo o ‘site’ ‘Our World in Data’, a Ásia tem 47,3% da população completamente vacinada (com as duas doses da vacina) e todos os outros estão acima dos 50%.
Ainda assim, há grandes desigualdades entre os 54 países africanos.
Cabo Verde anunciou na sexta-feira que inicia em dezembro a administração de doses de reforço da vacina e, segundo o ‘Our World in Data’, a Tunísia já administrou mais de 300 mil terceiras doses (2,82% da população) e a Argélia 13 mil (0,03%).
Enquanto isso, apenas 10,57% da população africana já recebeu pelo menos uma dose de vacina anti-Covid-19, 27 países africanos têm menos de 10% da população completamente vacinada e apenas seis (Seicheles, Maurícias, Marrocos, Cabo Verde, Tunísia e Ruanda) já atingiram o objetivo de vacinar 40% da população até ao fim do ano, segundo os dados do ‘Our World in Data’.
Enquanto as Seicheles já têm mais de 80% da população completamente vacinada, na República Democrática do Congo e no Burundi esta percentagem não chega a 1% e na Eritreia a vacinação ainda não começou.
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