Postos de vacinação na Guiné-Bissau estão "às moscas" - Plataforma Media

Postos de vacinação na Guiné-Bissau estão “às moscas”

Os agentes de vacinação recrutados pelo Governo guineense para uma campanha de vacinação contra a covid-19 manifestaram à Lusa, em Bissau, o seu desespero com a fraca adesão das pessoas ao processo.

Mesmo tendo dado ordens para que os cerca de 160 postos de saúde e duas dezenas de hospitais do país dessem primazia à vacinação contra a covid-19 e ainda ter estendido aos bairros periféricos de Bissau e localidades do interior os postos de imunização, os agentes de vacinação disseram à Lusa que passam “horas a fio, nos últimos dias” sem ninguém para vacinar.

Rita Sá, agente de vacinação colocada num posto que se movimenta entre várias zonas entre os bairros de Bandim, Caracol e Zona 7, disse à Lusa que em agosto a sua equipa chegou a vacinar até 200 pessoas por dia, mas que nos últimos dias nunca passou de 20 pessoas por dia.

“As pessoas deslocam-se aqui ao nosso posto a conta-gotas. Às vezes vacinamos cinco, sete, 10 pessoas, sobretudo pessoas do sexo masculino”, observou Sá.

A mesma realidade verifica-se no posto de vacinação no Bairro Militar, também nos subúrbios de Bissau, onde, em mais de uma hora, apenas entrou uma mulher que queria saber se podia vacinar-se, já que lhe tinha sido dito que estando doente não devia.

A mulher recebeu a informação dos técnicos de que não havia risco nenhum em ser vacinada, mas mesmo assim preferiu “ir para casa e voltar outro dia”, o que no entendimento dos técnicos significa que não vai voltar.

A equipa médica do posto de vacinação do Bairro Militar, composta por militares e paramilitares formados na área da saúde, explicou à Lusa que a maioria das pessoas que aí se desloca para ser vacinada “pede expressamente” para ser imunizada com a vacina da marca Johnson & Johnson.

“Quando dizemos que nós não recebemos essa marca, as pessoas simplesmente voltam para trás”, relatou um dos técnicos militares, que pediu para não ser identificado.

O Governo pôs em marcha, desde o dia 25 e durante dez dias, uma campanha de vacinação em massa da população guineense.

O coordenador da iniciativa em representação do Alto-Comissariado contra a Covid-19 na Guiné-Bissau, Júlio Nogueira, explicou à Lusa que a estratégia foi disponibilizar as vacinas da Astrazeneca que devem perder prazo de validade até final de novembro, daí que não haja as vacinas da marca Johnson & Johnson nos postos.

A equipa de Mariama Djaló também é questionada se tem a vacina da fabricante norte-americana, mas tem igualmente de explicar às pessoas que se deslocam ao posto móvel que percorre as artérias do bairro de Pefine, no centro de Bissau, que a vacina contra a covid-19 “não impede a mulher de ter filhos”.

“Há muito mito à volta das vacinas, muita desinformação, por isso passamos horas sem ninguém para vacinar, mesmo sendo uma equipa móvel”, afirmou Maimuna Djaló.

A Guiné-Bissau regista desde o início da pandemia um total acumulado de 6.133 casos e 141 vítimas mortais.

A covid-19 provocou pelo menos 4.969.926 mortes em todo o mundo, entre mais de 244,94 milhões infeções pelo novo coronavírus registadas desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e atualmente com variantes identificadas em vários países.

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