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Economia brasileira freia recuperação e PIB recua 0,1% no segundo trimestre

Luján Scarpinelli

O Produto Interno Bruto (PIB) recuou 0,1% no segundo trimestre de 2021 em comparação com os três meses anteriores, interrompendo uma série de três trimestres sucessivos de crescimento, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (1)

A economia brasileira freia a recuperação quando o seu resultado, pior do que a expansão de 0,2% esperada pelo mercado, é divulgado num contexto de inflação crescente, taxas de juros em alta e o impacto da pior seca em quase um século.

“Essa contração surpreende o mercado”, disse à AFP Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, para quem o resultado se refletirá nas expectativas de crescimento para este ano. “Em termos gerais, a gente não vê também uma retomada grande da economia. Tudo deve ser bem gradativo e paulatino”, acrescentou.

Em comparação com o mesmo período de 2020, quando a pandemia atingia em cheio a maior economia latino-americana, o PIB avançou 12,4%.

Neste período, a economia tinha registrado sua pior marca durante a pandemia pelo impacto das medidas de confinamento para conter o coronavírus.

Alexandre Manoel, economista-chefe da gestora de recursos Az Quest, também qualificou como inesperado o balanço trimestral, levando em conta os dados positivos no mercado formal de trabalho e de arrecadação no período, embora tenha destacado que o desempenho foi mais “de estabilidade” do que de uma grande queda.

Entre os componentes em baixa, destaca-se a queda de 2,8% do setor agropecuário, que foi o que impediu um recuo maior do PIB em 2020. No trimestre, foi “prejudicado um pouco pela seca, a geada e também os termos de troca que tiveram uma pequena desaceleração, embora continuem em patamares muito maiores do que no período pré-pandemia”.

A economia brasileira freia ainda mais a recuperação porque a atividade industrial também recuou no 2T (-0,2%). 

O setor de serviços, o que mais contribui para o PIB brasileiro, cresceu 0,7%. 

“Isso demonstra que a economia vem se recuperando na direção que se espera. Com a vacinação, a abertura da economia e a maior mobilidade das pessoas com a abertura do setor do turismo principalmente, vai ter um setor de serviços puxando mais a economia brasileira para alcançar um PIB de 5% ou 5,5% que o mercado está esperando” para 2021, analisou Manoel.

Enquanto isso, a atividade das indústrias extrativistas subiu 2,7% e da construção, 5,3%.

Inflação e juros em alta

O Banco Central elevou em agosto sua taxa básica de juros, a Selic, em um ponto percentual, para 5,25%, e prevê fazer um aumento similar este mês para conter o avanço da inflação, que em julho acumulou 8,99% em 12 meses. 

“A gente está vendo a inflação alta e o Banco Central vai ter que agir porque não é só por conta da elevação de preços da energia ou da gasolina, é uma alta disseminada. Por isso eles dizem que vão colocar a taxa de juros acima da taxa neutra, o que tem como consequência uma economia que desacelera”, explicou Paula Magalhães, economista-chefe da consultoria A.C. Pastore & Associados.

As previsões para este ano são de um crescimento de 5,22%, segundo o último boletim Focus de expectativas de mercado, publicado pelo Banco Central.

Mas alguns prognósticos se deterioraram. “O resultado [do segundo trimestre] atribui um viés baixista para a nossa expectativa de crescimento de 4,6% em 2021. Estamos revisando o nosso número”, disse Sanchez.

As previsões para 2022 também perdem força, pois as eleições presidenciais acrescentarão incertezas sobre a economia.

Para o economista da Ativa, esta revisão para baixo do PIB deste ano também deve levar a uma perspectiva mais baixa para o PIB de 2022, para o qual se prevê expansão de 1,6%, “uma perspectiva muito deprimida”.

Manoel, no entanto, acredita que o indicador ainda não alterou as projeções porque não há sinais neste sentido na economia real.

O mercado projeta, ainda, uma inflação de 7,27% para 2021, segundo o informe Focus, acima da meta de 3,75% estabelecida pela autoridade monetária.

Na terça-feira, o índice de desemprego mostrou uma leve melhora no segundo trimestre, ao cair para 14,1% contra 14,6% entre março e maio. No entanto, 14,4 milhões de pessoas procuravam emprego e analistas alertam para a alta informalidade, além da deterioração do salário real.

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