“Espero que os Países de Língua Portuguesa possam ser beneficiados” - Plataforma Media

“Espero que os Países de Língua Portuguesa possam ser beneficiados”

A administração de Biden alertou as empresas norte-americanas que pretendem operar em Hong Kong sobre os perigos que podem enfrentar na atividade económica. Em entrevista à The Associated Press (AP), a presidente da Câmara de Comércio Americana em Hong Kong (AmChan), Tara Joseph, reforçou essa ideia, salientando que as empresas devem reavaliar as suas operações e decidir se a recompensa ultrapassa o risco. Mediante a crescente tensão económica entre os Estados Unidos da América (EUA) e a China, o PLATAFORMA contactou o Presidente-Executivo do Banco Nacional Ultramarino (BNU), Carlos Cid Alvares, de forma a perceber o perigo que o antagonismo entre as duas maiores economias do mundo pode representar para as trocas comerciais entre os Países de Língua Portuguesa e a China.  

Carlos Cid Alvares, embora não tenha partilhado uma opinião sobre as declarações da AmChan, afirma que uma cooperação económica saudável entre os EUA e a China traz, certamente, benefícios. “Um acordo para a construção de ligações económicas entre as duas maiores economias mundiais só pode ser lucrativo”.  

Relativamente às trocas comerciais entre os Países de Língua Portuguesa e a China, o Presidente-Executivo do BNU assinala que, no ano de 2021, “os indicadores mostram que houve crescimentos assinaláveis nas trocas comerciais”, dando especial ênfase às “transações com o Brasil, Portugal e Moçambique”, que se traduziram num aumento das exportações e importações. 

Porém, se as tensões políticas e económicas entre as duas potências resultarem num afastamento total ou parcial, Carlos Alvares aponta que existem sempre soluções, com alguns a terem oportunidade de sair a ganhar. “Se houver uma estagnação comercial entre esses blocos, os empresários encontrarão outros países para assegurar as suas exportações e importações”. Nessa eventualidade, Carlos Alvares é assertivo: “espero que os Países de Língua Portuguesa (PLP) possam sair beneficiados”.  

De acordo com as estatísticas dos Serviços da Alfândega da China, as trocas comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa de Janeiro a Fevereiro de 2021 foram de 25,028 mil milhões de dólares americanos, um aumento homólogo de 17,09 por cento.  

“Os indicadores deste ano refletem crescimentos assinaláveis nas trocas comerciais entre a China e os PLP” 

As importações da China dos Países de Língua Portuguesa foram de 16,128 mil milhões de dólares americanos, um aumento homólogo de 2,57 por cento, enquanto as exportações da China para os Países de Língua Portuguesa foram de 8,9 mil milhões de dólares americanos, um aumento homólogo de 57,48 por cento. 

As trocas comerciais em Fevereiro foram de 11,889 mil milhões de dólares americanos, um decréscimo de 9,52 por cento face ao mês anterior. As importações da China oriundas de Países de Língua Portuguesa foram de 7,875 mil milhões de dólares americanos, um decréscimo de 4,59 por cento face ao mês anterior, enquanto as exportações da China para os Países de Língua Portuguesa foram de 4,014 mil milhões de dólares, um decréscimo de 17,84 por cento face ao mês anterior. 

As relações entre os Estados Unidos e a China têm vindo a deteriorar. A guerra comercial, iniciada em 2017, e as crescentes tensões políticas em Hong Kong estão no epicentro da antagonização. A administração de Biden citou a mudança na paisagem legal da cidade e o reforço do controlo por parte de Pequim como os riscos que as empresas americanas enfrentam. 

A China, em reposta, afirma que os assuntos de Hong Kong fazem parte do foro interno do país e que outros governos não devem interferir. 

“O panorama empresarial tornou-se certamente mais complexo do que costumava ser, estamos definitivamente numa nova normalidade no que diz respeito aos negócios aqui”, disse Tara Joseph à AP. 

“O que é preocupante em geral, e não apenas com este aviso, é uma constante troca de agressões entre os EUA e a China quando se trata de Hong Kong… que em muitos aspectos é uma cidade apanhada no meio da confusão”, explicou.  

Joseph disse que a assessoria da administração Biden poderia influenciar as perspetivas das empresas americanas que ainda não operam em Hong Kong. Mas a cidade continua a ser um centro importante para fazer negócios com a China continental.  

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